domingo, 10 de setembro de 2017

Teatro

Fantasiava suas emoções
escondendo os suspiros.
De quem?

Esperava o corte da cebola de todos os dias
para se permitir pensar naquele amor 
não-correspondido
por ninguém

Esperava a discussão política
para liberar a raiva
do abandono
de si mesmo

A dor que sentia
e fingia
estava estampada
nas curvas do seu rosto

sábado, 26 de agosto de 2017

Perguntas amáveis

Manter o coração vazio ou substituir amor por amor, obsessão por obsessão?
Manter a mente limpa ou fantasiar todas as possibilidades de felicidade que aquele novo amor poderia trazer?
Viver o amargo do hoje ou esperar a doçura do amanhã?
Arrancar a emoção do peito ou mergulhar até o fundo, até os limites dessa emoção?
Dar um passo atrás ou me jogar nesse abismo?
E, ainda, decidir ou manter a dúvida na possibilidade do erro da decisão?

domingo, 20 de agosto de 2017

Paradoxos de um domingo a noite

Uma coisa que eu descobri com a vida foi que ela é paradoxal e, às vezes, gostar de alguém significa preferir odiar esta pessoa, porque tudo seria mais simples. O ódio não demanda presença, não demanda atenção ou carinho. 
Mas é extraordinariamente estúpido e paradoxal gostar de uma pessoa que não atende as demandas e nem se esforça para isso. 
Cupido, seu burro, dá pra acertar essa mira por favor?

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Água doce

Tudo está funcionando mais devagar que os meus pensamentos, depois daquele expresso duplo.
Agora há pouco eu imaginei, muito claramente e quase real, o grampeador sendo arremessado na tela do computador que travou antes que eu salvasse as modificações e, ao invés disso, bebi goles grandes do meu grande copo d'água. Eu também lembrei de quando a nutricionista me perguntou se eu bebo água durante o dia, e eu respondi "sim, muita".
Haja água pra encarar esses dias.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Ser, verbo intransitivo

Agora, eu não sou
nada 
além de mim
mesma.

Não sou limites
e nos seus olhos
não sou nem mesmo o humano
que és.

E amanhã, serei ainda
o belo e fútil
do ser
completo ou raso.

Eu não sou corpo,
nem alma
e nem vento.
Sou tempestade.

E talvez eu seja, afinal,
a calmaria e o turbilhão
do coração
da sua indiferença.

Sou o chicote,
a lança e a espada.
Sou a cura,
o calor e o prazer.

O peso e a leveza
de um amor incipiente
e o grito 
ainda preso na garganta.

Sou tudo e nada
e nada me prende
e tudo me abala.
Sou eu.