quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Carta ao Mestrado na Europa

Dear Sir/Mam,

A minha infância e adolescência todas eu sonhei em ser pediatra. Sempre gostei de crianças, parecia um sonho cuidar delas todos os dias. Até que um dia a avó de uma amiga me disse “bem, você vai ver muitas crianças doentes”. Nunca esqueci desse dia. Tem uma expressão brasileira que descreve bem esse momento: “Meu mundo caiu”. Eu demorei algum tempo para realmente entender o que ela havia dito.

Eu entendi que não poderia viver vendo crianças doentes, demorei mais um bom tempo para escolher um novo rumo.

Quis fazer cinema, arquitetura, artes plásticas. Minha orientação vocacional me aconselhou a fazer música. Pena que não tenho nenhum dote musical. Apesar de ter tentado tocar violão, hoje não faço nem barulhos com a boca. Desafino até falando.

Eu gostava de todas as matérias na escola. Era aquela nerd que passava horas na biblioteca e todos copiavam o caderno quando chegava perto das provas. Eu tirava notas mais altas em exatas, mas também gostava muito de história e geografia e de como essas matérias ajudam a entender a situação política e econômica atual.

Não sabia nem por onde começar a decidir. O tempo estava passando, eu tinha 17 anos e tinha que escolher uma carreira logo. Escolher o que eu faria para o resto da vida. Uma baita responsabilidade.

Eu encarei o mundo a minha frente, pensei no trabalho voluntário que fiz por 4 anos, desde novinha, e decidi que queria deixar algo bom para trás. Eu não sou de esperar que aconteça. Queria deixar coisas boas para o mundo feitas com minhas próprias mãos.

Meu primeiro pensamento foi fazer cinema e desenvolver documentários sobre a realidade do país em que vivo. Acabei desistindo dessa ideia. Fiz Engenharia Ambiental.

Antes de entrar na faculdade estava confusa e nervosa. Assustada com a nova fase. Tremendo de medo de não passar nas provas. Não tinha ideia do quanto me apaixonaria pelo curso. Discussões estimulantes, tópicos interessantes, amigos incríveis. Um aprendizado e tanto.

Quando comecei a estagiar, percebi que os trabalhos nesta área eram muito interessantes. Eu, satisfeita, me surpreendia a cada dia com novos desafios. Me levavam a pensar, criar.

Hoje, olho para trás e vejo conquistas. Projetos grandes realizados. Sonhos transformados em realidade.

Uma vez tive a ideia de usar meu corpo como quadro e fazer tatuagens de flores. Uma a cada conquista, lutando para quando ficar velhinha, me transformar em jardim. Se tivesse levado isso a sério, já teria algumas rosas florescendo.

Olho para frente e, sendo bem sincera, não consigo enxergar direito. Tenho o sonho de construir uma escola comunitária com educação de alto padrão para satisfazer aquele desejo imenso de cuidar das crianças do meu país. Mas ainda tenho muito o que aprender antes disso. Quero fazer bem feito.

Meu futuro está, no momento, incerto. Quero me desenvolver. Aprender e crescer.

Sempre digo que sou como um pássaro que leva o lar dentro do peito e que a vontade de voar me consome igual fome.

Quero voar. Trazer e levar sementes. Ver o mundo de um jeito que nunca tive a oportunidade de ver antes.

Eu tentei fazer esta carta a minha cara. Ela é muito sincera e tem muito de mim.

Espero que tenha conseguido passar um pouquinho da minha história.

I hope to hear from you soon.

Thank you for the attention.