domingo, 14 de abril de 2013

If I could

Naquela fase estranha entre infância e adolescência, eu tinha um amigo inseparável. A gente dividia segredos, dúvidas, insegurança. Até que um dia ele se mudou para a Itália e nunca mais nos falamos. Isso foi há quase dez anos.
Há uma semana, enquanto estava saindo com os amigos, parece que ele caiu e bateu a cabeça. Só isso.
Ele entrou em coma e até agora a família está ansiosamente esperando sinais de melhora que não vêm.
Ele tem 24 anos, feitos no dia 3 de fevereiro. Eu sou boa com datas e a do aniversário dele eu nunca esqueci.
É difícil de lidar com isso de ser mortal e de que todos que a gente ama, os que a gente amou um dia e todos os outros também, são mortais.
A gente planeja a vida para que a morte só aconteça quando ficarmos velhinhos e se algo interrompe a vida antes, os culpados são a violência, o descumprimento de regras.
Mas e quando não tem nada disso, e mesmo assim, a vida termina mais cedo? E quando não tem quem culpar?
A verdade é que somos muito frágeis.
E o que ninguém quer encarar é que o fim pode ser daqui a 70 anos mas também pode ser hoje, amanhã ou depois.
A intenção não é de escrever um texto alarmista, eu só fiquei chocada com a ficha que caiu por causa deste acontecimento. A intensidade da fragilidade humana.
Se é tudo uma questão de tempo, eu espero que o fim para ele ainda demore bastante. Que ele acorde e viva muito ainda. E que ele seja feliz até o fim.

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