quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Eu, minha amiga

Se eu fosse minha amiga,
Me daria conselhos,
Sobre amor, vida e dinheiro.

Me levaria para o cinema,
piqueniques e eventos culturais.

Me abraçaria forte em momentos difíceis,
mostrando apoio e amor.

Diria que eu devo ter força
Para não deixar ninguém me fazer sentir menor.

Confortaria minha dor
E não me deixaria sofrer além do inevitável.

Me sinto tão só.
Neste momento, a única presença que me completaria totalmente
É eu mesma.
Como minha amiga.

Mas às vezes acho que até eu me abandonei.

Os astros me contaram

Sou pássaro
E também gaiola.

Sou grito
Que ressoa nos becos,
Nas casas
E também nos sonhos.

Entretanto sou silêncio.
Angústia e também conforto.

Sou criança, e também
Velha.

Na minha inocência,
Acredito.
A maturidade duvida.

Meus olhos perguntam,
minhas mãos procuram.
O que sou?
Ser paradoxal como todos.
E também mais que todos.

sábado, 28 de setembro de 2013

Anotações que eu achei por aí

Hoje eu desenhei um coração no cantinho da folha e me dei conta de que não faço isso há anos.
Não saltito mais por aí, as pessoas não entendem. Nem corro para o banco alto no ônibus porque fica longe do motorista e do cobrador e, depois de algumas tentativas de assalto na vida, aprendi a me contentar com sentar na frente e no corredor, desviando das bolsadas.
Dizem que quando a gente cresce, fica medroso.
Aprendi a engolir sapos e estou agora aprendendo a dizer não a eles.
Depois de grande, aprendi a ser criança. Acho que agora estou aprendendo a crescer.

sábado, 21 de setembro de 2013

Mudanças

Não gostei do corte de cabelo e nem do que descobri quando coloquei os óculos e finalmente me vi, com contornos definidos.
Não era essa a mudança que eu precisava para me sentir bem.
As mudanças que eu preciso, tenho escondido por todo esse tempo sob sorrisos amarelos e desculpas em resposta a perguntas sobre presente e futuro.
O reflexo diferente me disse de primeira: It's change for the sake of change.
Erro de priorização.
E, claro, entrei em crise.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

But all the colors mix together

Tem um nó dentro de mim. Às vezes está na garganta, outras vezes cai para o estômago. Hoje, até pelo pé passou.
Ansiosa que só.
Tem um olhar que estou cada vez mais acostumada a ter. De fugitiva. Esgueirando-se para longe dos olhos alheios, tentando escapar.
De que? De quem? De si?
Tem raiva também. E medo.
O que me explodiu deixou uma cidade devastada e muita pólvora por queimar.
E por fim, tem uma força, pequena e escondida, mas vê-se que está crescendo. Essa me fez falta por muito tempo. 
Força de ser feliz como poucos têm a coragem de ser. De aprender tudo no mundo e viver duzentos anos.


Ele me disse que a esperança, que saiu voando pela janela, continuou no peito dele.
Esperança, dê asas aos sonhos dele.
Multiplique as alegrias.
Faça bem.
Cuida dele enquanto eu estou longe.
Eu cuido de mim.
É bom. Eu preciso mesmo de um tempo para me entender melhor.
Quem sabe eu até acho uma esperança por aí.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Malaika e a andorinha - Antes, quando ainda não era o fim

No meio de uma imensa planície florestada, havia um monte e em seu topo, uma pequena casa de madeira pintada de céu claro, morada de um rapaz chamado Malaika.
Malaika estava naquela fase da vida em que o menino e o homem se confundem. Em que a maturidade por vezes espanta, por vezes falta.
O rapaz caminhava por entre as árvores galgando raízes e desviando de teias de aranha e formigueiros. Eram tantas as distrações que por vezes se esquecia de seguir o caminho que lhe levaria a sua casa.
Se sentia seguro, conhecia aquela floresta e chegar em casa seria fácil. Avistava a pequenina casa azul no topo do monte descampado e estava certo que chegaria em poucos minutos.
Passaram-se horas e o monte e a casa permaneciam exatamente do mesmo tamanho. Caminhava e caminhava, e quando voltava a procurar sua casa, ainda estava lá: azul, pequena e inalcançável.
A noite caía aos poucos e suas certezas se dissipavam junto com os raios de sol.
Quando a verdade de estar perdido lhe cercava por todos os lados, uma andorinha veio lhe fazer companhia. Ela piou, bagunçando as penas de seus quatro tons de azul, voou para mais perto, terminando por pousar em seu ombro. Malaika pensou que era estranho uma ave assustadiça se aproximar de um humano e ficou feliz pela companhia.
Quando encontrou uma caverna e dormiu, pensou que a pequena ave o teria deixado, mas ainda estava lá na manhã seguinte e também nas muitas outras que se seguiram. Às vezes voava para longe, mas sempre deixando uma promessa de retornar em formato de graveto.
Malaika e a andorinha tentavam se entender entre pios, palavras, passos e vôos.
O rapaz estava se acostumando com a floresta mas nunca deixava de pensar em sua casa azul no topo do monte. E seguia procurando um caminho que o levasse até lá.
Num dia particularmente chuvoso, Malaika andava a esmo com a andorinha no ombro até que, entre uma árvore e outra, viu sua casa azul.
Perto.
Correu em sua direção e quando o ar começou a lhe faltar, procurou sua andorinha e viu que ela havia ficado para trás. Voava em círculos nervosos.
Malaika parou sua corrida e, estático, assistia aos voos da ave. 
A andorinha não queria sair de sua floresta. Deixá-la significaria não mais vê-la?
A andorinha voou floresta adentro e antes que Malaika conseguisse se mover, voltou, lhe enchendo de gravetos.
Malaika, que não entendia a língua das andorinhas, derrubou-os todos, tentando alcançar a ave que voou para longe assustada.
Malaika tendo consciência que se encontrava entre sua bela casa azul e a floresta para onde voava sua andorinha, quis dividir-se.
Afinal, correu até a andorinha e prometeu retornar para vê-la. A andorinha, não compreendendo a língua do humano, voou baixo, rasante às raízes das árvores.
Malaika andava monte acima e a andorinha voava floresta adentro.
E algo não os deixava pensar.
Era o vento.
Ou a lembrança da companhia que nem ao menos falava a mesma língua.
Se era o fim, não sabiam. Como haveriam de saber?
A vida dá voltas. As andorinhas sabem muito bem disso.

domingo, 30 de junho de 2013

Eu e você

Eu queria que a minha boca fosse capaz de dizer o que os meus olhos dizem e você não entende.
Da mesma forma que em você existem muitos, uma mulher é feita de muitas mulheres e eu queria poder te mostrar todas elas, mas tem uma que não deixa.
É a mesma que faz todas as outras se calarem quando meus olhos dizem que eu te quero.
Sabe, nas nossas vidas corridas não tem espaço para mais sofrimento.
Eu quero estar confortável e feliz.
Não quero brigar.
E quer saber?
A gente merece ser feliz.
Eu espero que juntos.

domingo, 14 de abril de 2013

If I could

Naquela fase estranha entre infância e adolescência, eu tinha um amigo inseparável. A gente dividia segredos, dúvidas, insegurança. Até que um dia ele se mudou para a Itália e nunca mais nos falamos. Isso foi há quase dez anos.
Há uma semana, enquanto estava saindo com os amigos, parece que ele caiu e bateu a cabeça. Só isso.
Ele entrou em coma e até agora a família está ansiosamente esperando sinais de melhora que não vêm.
Ele tem 24 anos, feitos no dia 3 de fevereiro. Eu sou boa com datas e a do aniversário dele eu nunca esqueci.
É difícil de lidar com isso de ser mortal e de que todos que a gente ama, os que a gente amou um dia e todos os outros também, são mortais.
A gente planeja a vida para que a morte só aconteça quando ficarmos velhinhos e se algo interrompe a vida antes, os culpados são a violência, o descumprimento de regras.
Mas e quando não tem nada disso, e mesmo assim, a vida termina mais cedo? E quando não tem quem culpar?
A verdade é que somos muito frágeis.
E o que ninguém quer encarar é que o fim pode ser daqui a 70 anos mas também pode ser hoje, amanhã ou depois.
A intenção não é de escrever um texto alarmista, eu só fiquei chocada com a ficha que caiu por causa deste acontecimento. A intensidade da fragilidade humana.
Se é tudo uma questão de tempo, eu espero que o fim para ele ainda demore bastante. Que ele acorde e viva muito ainda. E que ele seja feliz até o fim.

sábado, 13 de abril de 2013

Primeiro embarque

Quando o helicóptero saiu do chão, o que eu mais queria era ter um amigo do lado para poder gritar "Estamos voando!", mas eu guardei para gritar depois. O meu grito naquela hora se transformou numa risada contida.
Eu não sabia o quanto as nuvens são bonitas e parecidas com algodão doce quando vistas bem de pertinho, o quanto fica fresquinho e branco quando a gente entra nelas e o quanto o mundo parece a coisa mais linda quando você deixa todo aquele branco para trás.
Não tenho fotos, mas acho que dá pra explicar bem as coisas que nunca vou esquecer. Tipo aqueles carneirinhos no mar formados pelo vento e os golfinhos que passaram bem perto.
E o balanço do barco.
Esse não foi lá de tanta ajuda pra uma marinheira de primeira viagem.

sábado, 6 de abril de 2013

Sendo o fim doce, que importa que o começo amargo fosse?

Ser livre depende da sua capacidade de sentir sua própria liberdade e dar valor às suas pequenas conquistas.
Fiquei pensando nisto hoje, depois de me inscrever em um curso de teatro, caminhando por Botafogo feliz da vida, tranquila e livre.
Quando cheguei em casa e falei da novidade, me perguntaram sobre duração, certificados e objetivos.
Não tem nada disso.
Eu só gosto muito de teatro, sempre quis voltar a fazer, e agora que eu tenho tempo e um pouco de dinheiro, posso viver minha vida do jeitinho que eu queria. Enfim, mais um pouquinho de liberdade.
Aquelas coisas que a gente faz por pura felicidade não precisam de metas ou comprovantes de qualquer coisa.
E do nada me bateu uma vontade de ler Shakespeare...

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Sobre pesadelos

Depois de ter um dia maravilhoso ontem, eu tive um sonho ruim.
E hoje eu acordei triste.
Foi daqueles sonhos absurdos, que nunca aconteceriam, mas eu me senti machucada, violada.
Essas coisas não deveriam acontecer depois de dias bons.
E ao mesmo tempo em que essa sensação ruim não deixa, estou tentando esquecer, ouvindo músicas agitadas e pensando em outras coisas.
Às vezes dói mais quando a gente se machuca do que quando os outros machucam a gente.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

A pedra era o caminho

Hoje eu estava pensando no que aprendi na empresa em que estou agora. Já tem mais de um ano que estagio lá e não é segredo que pensei várias vezes em sair. Mas em todas essas vezes, eu decidi continuar.
E eu acho que a palavra que eu estou procurando talvez seja coragem.
É um dos valores da empresa, mas não é por isso. 
A questão é: para continuar no mercado de trabalho, é necessária muita coragem. Você tem que estar preparado para apanhar e saber se levantar depois.

Eu aprendi que sentir vontade de chorar no meio de uma reunião  ou chorar mesmo, escondido no banheiro, não te faz mais fraco.
Voltar a trabalhar depois, com o rosto vermelho e olhos inchados, determinado a alcançar o impossível - ou quase, isso sim, te faz mais forte.
É o levantar depois da queda.

Eu passei minha vida estudando, passei por um estágio em que era tratada como uma criança - o que era bom, confortável, o crescimento era lento e não doía tanto - e agora estou em uma empresa em que fui tratada como profissional desde o primeiro dia - ou a young professional como o big boss disse, querendo que eu baixasse a bola.

Eu apanhei muito - metaforicamente, é claro.
Cresci muito.
E hoje eu sei que sou forte.
Foi o aprendizado de mais valor que o meu estágio me trouxe.
Talvez tenha mais a ver com maturidade do que com coragem.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Quem tem um sonho não dança

Hoje eu comprei 6 pratos e 2 xícaras.
Brancos de bolas coloridas, combinando.
E achei tão lindo isso que saí da loja com a cabeça erguida, confiante.
Agora, estou contendo as lágrimas, tudo por causa daquela louça que está agora escondida no meu armário embaixo das fantasias de Carnaval.
Ela está lá pulsando e por ela eu rio e quase choro no meio dos trabalhos que tenho que terminar.
É mais um pequeno passo para o meu apartamento.
É o marco de uma grande conquista, feita por conquistas pequeninas ao longo do tempo.
Ela, junto com os livros da mesa da sala (obrigada, Aninha, por apoiar os meus sonhos), o enfeite do olho mágico, o copo e a garrafinha de Coca-Cola, a forma de gelo em formato de coração e os enfeites de Natal, são as minhas pequenas fugas.
Me ajudam a ver o que é importante e enxergar as dificuldades como degraus para subir e continuar crescendo.
A vendedora me pediu se era para presente.
Eu disse que era.
Fui eu que me dei, mas é um dos melhores presentes que eu ganho em anos.
Só não é melhor do que descobrir que vou ser titia, mas esse presente eu já ganhei.