domingo, 11 de novembro de 2012

Não posso

Os dois conversavam bastante. 
Trocavam delírios, opiniões, futuros.
Trocavam olhares.
Beijos.
Ela sorria, brincava, queria.
E ele, esperava.
Ela falava, confessava, sonhava alto. Tão alto.
E ele ouvia.
Ela transbordava, explodia.
E ele... bem, ele assistia.
Ela se declarava. Inteira.
E tudo que ela ouvia, era "não posso".
Sentia seu rosto molhado.
E o dele também.
E não entendia.
O "não posso" na verdade é "não quero".
Sempre é.
E, perdidos, continuavam a história.
Bem menos poética do que poderia ser.
E os dois sabiam disso.

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