sexta-feira, 27 de abril de 2012

Se eu me chamasse Raimundo

Eu pensei em tentar me encher de coragem, mas lembrei que toda ela tinha caído do meu colo quando levantei da cadeira a contragosto e fui sendo carinhosamente empurrada para longe do meu lugar seguro.
Vários rancores povoavam a minha cabeça e me tiravam as palavras.
Eu nunca fui boa falando mesmo.
Fiquei apavorada com o fato de não conseguir falar nem mesmo uma palavra, o que aumentou ainda mais meu nervosismo.
Sabia que estava a um passo das lágrimas.
(Eu sempre fui chorona assim?)
Segurei o choro, ninguém viu.
Mas parece que aquilo me encharcou por dentro.
Parecia mar.
E parecia naufrágio.
Eu devia ter mais paciência.
Mais força.
Coragem.
Saber nadar nesse mar.
Eu realmente devia saber controlar meu mar agitado.


(Engraçado como a gente consegue achar textos de outros autores que dizem exatamente o que você sente - e às vezes até o que você acabou de escrever.)
"Confesso que ando muito cansado, sabe? Mas um cansaço diferente… um cansaço de não querer mais reclamar, de não querer pedir, de não fazer nada, de deixar as coisas acontecerem. Confesso que às vezes me dão umas crises de choro que parecem não parar, um medo e ao mesmo tempo uma certeza de tudo que quero ser, que quero fazer. (...) eu sinto que as coisas vão escorrendo entre meus dedos, se derramando, não me pertencendo. Estou realmente cansado. Cansado e cansado de ser mar agitado, de ser tempestade… quero ser mar calmo. Preciso de segurança, de amor, de compreensão, de atenção, de alguém que sente comigo e fale: “Calma, eu estou com você e vou te proteger! Nós vamos ser fortes juntos, juntos, juntos.” Confesso que preciso de sorrisos, abraços, chocolates, bons filmes, paciência e coisas desse tipo. Confesso, confesso, confesso." C.F.A.