domingo, 11 de março de 2012

Guache

Eram cores e mais cores e ela nem ao menos conseguia definir os contornos.
Sua visão parecia uma pintura a guache, só que sem a poesia.
Sentia uma dor no fundo dos olhos, daquelas dores que confundem a gente.
Ela sabia o motivo daquela dor, mas se recusava a acreditar.
Sentia um peso nos ombros que também tinha decidido ignorar.
E uma preocupação que não a deixava pensar direito.
Só falava o essencial.
O resto, falava pra dentro.
O resto crescia pra dentro.
Até que um dia estouraria em lágrimas e desespero quando sozinha em um lugar qualquer.
Mas não hoje.
Hoje ainda aguentava o peso.
Ainda se fazia de forte.
Com os olhos secos e o rosto atento, definia aos poucos os formatos do que via.
Hoje seria um longo dia.
A semana também.
E enquanto pudesse, adiaria o dia em que uma única palavra ou mesmo o silêncio a faria transbordar.
Não se conhecia.
Não sabia suas forças e fraquezas.
Também não sabia o quão longe poderia ir.
Mas não desistiria.
Ao menos isso era certo.
Isso e aquela dor no fundo dos olhos.

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