domingo, 2 de dezembro de 2012

Super-poderes

Toda criança sabe que o mais próximo do invisível que você pode ser, é quando você finge que está dormindo. O pensamento das pessoas passa rápido por você, demorando o tempo suficiente para a afirmação "Ah, está dormindo." e pronto. É aí que a invisibilidade começa.
Você fica protegido pelo silêncio dos seus pensamentos.
Ali, você é o que quiser. Você pensa o que quiser.
Tudo grita dentro de você, mas você abre os olhos e vê a apatia.
Você fecha os olhos de novo e todo aquele mundo de emoções volta a ser seu.
Às vezes eu acho que pertenço a este mundo que a gente descobre quando fecha os olhos.
Esse mundo aqui fora é muito diferente de mim.
Ele não me aceita e eu não o entendo.
E, por causa disso, eu aprendi a ser invisível.
Talvez fosse mais divertido se eu tivesse aprendido a voar.

sábado, 17 de novembro de 2012

Para realizar os meus sonhos

São tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo aqui dentro que eu não sei o que fazer para não explodir.
Estou ansiosa, com uma vontade transbordante de realizar sonhos, sem demora.
Rápido, rápido! Antes que a força ou a vida acabem. O que acontecer primeiro.
Estou com frio na barriga, olhos famintos e asas nos pés.
Não posso ficar parada, meus sonhos me empurram para frente.
E para cima.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Os meus 20 dedos podres

Raiva é uma coisa que eu não sei lidar.
Não sei mesmo.
Acho que não me acostumei a extravasar com a vida.
Guardo tudo.
Engulo as palavras e as lágrimas e me encharco por dentro.
Por fora, só a face dura que diz que alguma coisa errada está acontecendo.
Que bom que minha memória é curta e eu sei que rapidinho eu esqueço.
Não que eu vá agir igual.
Confiar igual.
Isso não.
Mas eu já disse isso uma vez, e digo de novo:
Só quero sentir o que me faz bem.
Raiva e ressentimento estão bem longe desta lista.
Mas aí a cair duas vezes na mesma armadilha...

domingo, 11 de novembro de 2012

Não posso

Os dois conversavam bastante. 
Trocavam delírios, opiniões, futuros.
Trocavam olhares.
Beijos.
Ela sorria, brincava, queria.
E ele, esperava.
Ela falava, confessava, sonhava alto. Tão alto.
E ele ouvia.
Ela transbordava, explodia.
E ele... bem, ele assistia.
Ela se declarava. Inteira.
E tudo que ela ouvia, era "não posso".
Sentia seu rosto molhado.
E o dele também.
E não entendia.
O "não posso" na verdade é "não quero".
Sempre é.
E, perdidos, continuavam a história.
Bem menos poética do que poderia ser.
E os dois sabiam disso.

domingo, 16 de setembro de 2012

Sem fim

Tem gente que faz a gente parecer melhor
E que com um sorriso, faz a gente se sentir em casa.
Tem gente que colore nossas vidas
Com aquarelas de todas as cores primárias.
E quando a gente lembra dos momentos,
As lembranças vêm com trilha sonora e recheadas de saudade.
E é tão ruim ter que se forçar a esquecer,
De novo,
Essas pessoas especiais.
É ruim esse mundo de adulto,
De não poder fazer o que se quer fazer,
Estar com quem se quer estar.
É ruim isso de não poder querer.
E eu que sempre acreditei que o que a gente não pode é voar,
Atravessar as paredes,
Ser transparente.
O resto a gente pode tudo.
Tudo.
A gente pode fazer tudo o que quiser.
Agora o meu cérebro não está acreditando em mim.
Principalmente quando eu digo a ele que não posso pensar em certas pessoas especiais.
Porque ele me lembra que eu posso tudo.
E eu fico sem resposta.
E sem fim pra essa história.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Feliz por nada

Além do nome do livro que eu estou lendo, feliz por nada também é o que eu estou sentindo agora.
Talvez não seja totalmente por nada.
Essas últimas duas semanas foram difíceis e boas ao mesmo tempo.
Muitas coisas aconteceram, de todos os lados e tudo mudou um pouquinho.
E as mudanças nem sempre são fáceis mas você sempre sai aprendendo alguma coisa.
Às vezes você aprende que alguns amigos podem ser pra sempre se você souber cuidar deles.
Que nem todo amor pode ser vivido.
Que a gente tem que dizer o que pensa.
Escancarado mesmo.
Porque o que você esconde hoje, amanhã não vai ter mais valor.
E que você tem que aprender a pedir o que quer, claro que com jeitinho, mesmo arriscando ganhar um não.
Que na verdade, a gente pode fazer tudo o que a gente quiser, mas a gente se bloqueia tanto!
Crescer dói, mas é tão bom!

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Mania de greve

Influenciado por essa mania nacional e cansado de ser maltratado, meu coração entrou de greve.
O estopim aconteceu ontem quando o coitado trabalhou como nunca.
A culpa foi daquela sensação de ser completo que os poetas não sabem explicar, seguido de uma onda de baixa auto-estima, do medo de perder quem a gente quer perto e a angústia da rejeição. Exatamente nesta ordem.
Em estafa, meu coração parou, levantou cartazes e pintou a cara.
Exige melhores condições de trabalho e também aumento dos benefícios.
É melhor eu começar a negociar com ele, porque do jeito que as coisas andam, meu cérebro vai entrar de greve logo logo e é bom que pelo menos um deles participe das minhas decisões.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

...

Eu não consigo entender como tem tanta gente cruel nesse mundo.
Gente que você se identifica, se aproxima, mas numa hora ou outra, te destrói.
E dói.
Eu não entendo o prazer em fazer pessoas de idiotas.
Talvez porque eu sempre estive do outro lado.
Ou talvez porque eu me preocupe demais.
Talvez eu seja mesmo idiota.

Eu achava que o bullying e a gastrite nervosa tinham me abandonado quando saí da escola.
Parece que não.

domingo, 3 de junho de 2012

Foi, o peso da vida

Foram, as coisas que desaprendi. 
Os anos que passaram.
Foram, pessoas que perdi e que me perderam.
Com elas, os olhares de cumplicidade.
Foi, a doçura que passou sem dor.
Foram e não voltam mais.
Eu não sei direito o que mais que foi.
Mas sei bem o que ficou.
Quem não tem muito, dá valor a tudo o que tem.
Hoje, a vida ficou tão leve que se eu abrir os braços uma brisa me carrega. E pra longe.

domingo, 20 de maio de 2012

Complemento

                                                                 Quino

Não, eu não tinha visto o desenho antes de fazer a história.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Se eu me chamasse Raimundo

Eu pensei em tentar me encher de coragem, mas lembrei que toda ela tinha caído do meu colo quando levantei da cadeira a contragosto e fui sendo carinhosamente empurrada para longe do meu lugar seguro.
Vários rancores povoavam a minha cabeça e me tiravam as palavras.
Eu nunca fui boa falando mesmo.
Fiquei apavorada com o fato de não conseguir falar nem mesmo uma palavra, o que aumentou ainda mais meu nervosismo.
Sabia que estava a um passo das lágrimas.
(Eu sempre fui chorona assim?)
Segurei o choro, ninguém viu.
Mas parece que aquilo me encharcou por dentro.
Parecia mar.
E parecia naufrágio.
Eu devia ter mais paciência.
Mais força.
Coragem.
Saber nadar nesse mar.
Eu realmente devia saber controlar meu mar agitado.


(Engraçado como a gente consegue achar textos de outros autores que dizem exatamente o que você sente - e às vezes até o que você acabou de escrever.)
"Confesso que ando muito cansado, sabe? Mas um cansaço diferente… um cansaço de não querer mais reclamar, de não querer pedir, de não fazer nada, de deixar as coisas acontecerem. Confesso que às vezes me dão umas crises de choro que parecem não parar, um medo e ao mesmo tempo uma certeza de tudo que quero ser, que quero fazer. (...) eu sinto que as coisas vão escorrendo entre meus dedos, se derramando, não me pertencendo. Estou realmente cansado. Cansado e cansado de ser mar agitado, de ser tempestade… quero ser mar calmo. Preciso de segurança, de amor, de compreensão, de atenção, de alguém que sente comigo e fale: “Calma, eu estou com você e vou te proteger! Nós vamos ser fortes juntos, juntos, juntos.” Confesso que preciso de sorrisos, abraços, chocolates, bons filmes, paciência e coisas desse tipo. Confesso, confesso, confesso." C.F.A.

domingo, 11 de março de 2012

Guache

Eram cores e mais cores e ela nem ao menos conseguia definir os contornos.
Sua visão parecia uma pintura a guache, só que sem a poesia.
Sentia uma dor no fundo dos olhos, daquelas dores que confundem a gente.
Ela sabia o motivo daquela dor, mas se recusava a acreditar.
Sentia um peso nos ombros que também tinha decidido ignorar.
E uma preocupação que não a deixava pensar direito.
Só falava o essencial.
O resto, falava pra dentro.
O resto crescia pra dentro.
Até que um dia estouraria em lágrimas e desespero quando sozinha em um lugar qualquer.
Mas não hoje.
Hoje ainda aguentava o peso.
Ainda se fazia de forte.
Com os olhos secos e o rosto atento, definia aos poucos os formatos do que via.
Hoje seria um longo dia.
A semana também.
E enquanto pudesse, adiaria o dia em que uma única palavra ou mesmo o silêncio a faria transbordar.
Não se conhecia.
Não sabia suas forças e fraquezas.
Também não sabia o quão longe poderia ir.
Mas não desistiria.
Ao menos isso era certo.
Isso e aquela dor no fundo dos olhos.

domingo, 4 de março de 2012

As asas


"You're waiting for someone to perform with
And don't you know that is just you?"



Eu sempre controlo as lágrimas quando chega nessa parte.
Porque, na verdade, eu sempre acreditei naqueles finais felizes de contos de fadas.
Aquela história da metade da laranja.
Apesar de não querer nunca depender de ninguém, alguma coisa dentro de mim exige aquela maluquice de companhia eterna.
Todo mundo sabe que isso praticamente não existe hoje em dia. Uma parte de mim nem acredita em casamentos.
E a outra parte é melosa. Ainda não cresceu. É dependente e insegura. Pede atenção o tempo todo.
Talvez porque a música que eu mais escutei na infância foi "Somewhere over the rainbow" e eu não tinha com quem brincar, então me restava sonhar.
E eu nunca parei de sonhar.


"Hey, Jude, you'll do
The movement you need is on your shoulder"

E essa parte da música parece que me acorda. Me arrepia inteira. Me enche de emoções que eu não sei explicar direito.
Porque eu sou toda paradoxo.
Eu quero ir pra longe. Quero fugir sem nada nem ninguém. Passarinha.
E ao mesmo tempo, quero ter um chão para me prender. Gaiola.

Mas de que adiantam as asas se a passarinha não puder voar?

Aquela passarinha que no outro dia saiu voando da gaiola
Pousada na janela, via o pôr-do-sol
As asas tremiam de vontade de voar
Sentia o vento soprando

Descobrira que liberdade é saber ser feliz
Sozinha
Ou em companhia
Ou sozinha novamente

Passarinhos não dependem de companhia para serem felizes
Porque é só bater as asas
Que a felicidade lhes incha o peito e bagunça as penas.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Sobre sonhos e fuga

Durante anos e ela sonhou com um mundo que não era o seu. Vivia aventuras imaginárias e era feliz daquele jeito distraído e bobo.
Quando, de uma hora para outra, sua vida passou a ser mais interessante do que aquelas fantasias a transportavam daquele mundo e aliviavam a carga do dia-a-dia.
E, de repente, reparou o quanto estava perdendo da vida criando fantasias e expectativas.
Achou difícil se policiar para não fantasiar seu mundo com tanta freqüência, mas tudo era mais fácil porque as coisas finalmente estavam dando certo.
Isso não significa que os próximos passos seriam fáceis, apenas que seriam possíveis.
Eram desafios e mais desafios que estava encarando agora.
Juntou suas forças e foi mais fácil abrir um sorriso.
Ela estava feliz.
Sua vida não estava completa e nem era perfeita.
Mas felicidade não tem nada a ver com perfeição mesmo.

Como é boa a sensação de começar o ano sabendo que tudo está dando mais certo do que antes.