segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Caos próprio

Naquela casa, as janelas eram todas voltadas para becos entre prédios, por isso as cortinas coloridas sempre fechadas.
As lâmpadas eram fortes para espantar a preguiça e a solidão.
O chão de tacos quebrados ficava escondido debaixo dos tapetes.
Por cima deles, passeavam quatro pés e quatro patas.
As patas batiam barulhentas e firmes, sinalizando a atividade do cãozinho e incomodando os vizinhos.
Os pés pertenciam a um casal que vivia a tropeçar nas beiradas dos tapetes e, por isso, xingavam alto as mães alheias, apavorando os vizinhos.
Era um pequeno apartamento colorido em completa e incontrolável bagunça.
Nada se achava ali. Era o próprio caos.
Mas era deles.
E além daquele apartamento e si mesmos, não tinham nada no mundo.
Até o cãozinho às vezes sumia e reaparecia, exibindo sua independência.
Gostavam daquele cantinho, apesar de tudo.
O que mais queriam era mais dois pezinhos se equilibrando naquele chão.

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