sábado, 23 de julho de 2011

Sinceramente

Perguntaram se estava tudo bem. Ela sempre respondia positivamente, não gostava de envolver os outros em seus problemas. Não havia necessidade.
Era um sábado como outro qualquer, exceto por aquelas nuvens que não se via há tempos em terras tropicais.
Era um apartamento como outro qualquer, mas era grande e não era seu. Ela havia passado toda sua vida naquele lugar, mas nunca se sentiu pertencente àquela casa, até porque, uma casa, para ser dela, teria que ser muito mais colorida e aconchegante. Mais tropical e menos fria.
Sua vida era colorida e feliz, apesar de tudo. E isso era sua maior conquista: Ter superado a solidão e a tristeza que a dominavam sem avisar naqueles tempos mais escuros, quando as nuvens teimavam em esconder seu sol.
Agora, ela era toda Rio de Janeiro.
Ela estava tranquila. Porque a vida era curta e se irritar era perda de tempo.
Estava feliz, porque construiu um lar dentro dela e isso a permitia fugir para qualquer lugar e ainda assim, se sentir em casa.
Perguntaram se estava tudo bem e ela respondeu um "está tudo tranquilo", como sempre fazia. Mas dessa vez era sincero.

3 comentários:

  1. Oi Su, faz tempo que não comento por aqui, mas sempre leio suas postagens! Aqui está um tempo horrível, frio e chuvoso há semanas =(

    beijo e fica bem,

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  2. Mais cedo ou mais tarde todos nós encontramos um lugar que nos sentimos em casa...
    não vou dizer que me sinto em casa por aqui, pois não é tropical, nem colorida, nem é Rio de Janeiro, mas pelo menos é aconchegante!

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  3. Oi Marcos!
    Que pena que o tempo está feio! Esse clima é normal na Holanda? Não é verão por aí agora?

    Aninha,
    Acho que o principal não é achar um lugar pra se sentir em casa, mas achar um meio de levar sua casa junto com você. Ou pelo menos a sensação de conforto.

    Beijos para os dois!

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