sábado, 16 de julho de 2011

Passarinha

Era aquele vento que não a deixava pensar.
Era que o vento a empurrava em direção ao desconhecido, e ela tinha medo de se deixar levar.
Era o costume de estar sempre com as mesmas pessoas, fazendo as mesmas coisas, e dizendo tentar fugir.
Mas na verdade, verdade mesmo, não fugia.
Muitas vezes, nem tentava.
Na verdade, apaixonara-se pela rotina que não havia escolhido.
Amava aquelas pessoas.
Amava aquele lugar.
Aquela responsabilidade que lhe deram de cantar para alegrar os outros.
E tinha medo de não encontrar tudo isso em outros lugares.
Mas, ao mesmo tempo, queria voar.
Voar alto.
Sumir nas nuvens.
Uma parte de si nem pensava em voltar depois.
E ela, dividida, aprendeu a gostar da gaiola e sonhar com as nuvens e, quando deixaram a portinhola aberta, apavorou-se.
Entrou em crise, e em crise está.
Com medo de fugir e com medo de ficar.

Um comentário:

  1. Adorei:
    "Entrou em crise, e em crise está.
    Com medo de fugir e com medo de ficar."

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