terça-feira, 5 de julho de 2011

Crônica de duas pessoas e um fim

Ele veio por trás e a abraçou forte, como sempre fazia. Ela tentou conter sua vontade de esquivar-se.
Ela lembrava que o tinha amado muito em algum momento da vida, e para onde foi todo esse amor?
Parecia que seu corpo inteiro pesava o dobro.
Tentava lembrar-se dos motivos que a levaram a apaixonar-se por ele. Talvez se conseguisse lembrar, poderia apaixonar-se de novo. Essas coisas acontecem, não acontecem? De apaixonar-se de novo pela mesma pessoa? Ela não sabia.
Ela o tolerava pelo peso da história dos dois e por medo de machucar mais uma pessoa.
Ela detestava machucar as pessoas, mas isso acontecia com uma frequência muito maior do que ela gostaria.
Era ela quem sempre terminava os relacionamentos. Era ela quem abrandava os gritos das discussões com aquela voz macia de quem sabe que é culpado, quem afagava a cabeça do outro até as lágrimas pararem de rolar.
Era ela quem partia os corações de quem a amava.
E estava prestes a fazer isso de novo.
Há muito tempo chegou a ir a algumas sessões com um psicólogo que sua tia indicara, com a desculpa de aliviar a dor da perda do pai. Ele a havia dito para analisar o seu pavor de criar raízes.
Ela se lembrava disso a cada final de relacionamento.
Ela olhou nos olhos dele. Ele era puro amor e dedicação. E ela, só dúvidas e a certeza de não o amar mais.
Manteve o olhar fixo nele, afim de se lembrar para sempre daquele momento. O último momento em que ainda era permitido a eles a intimidade dos namorados.
Piscou forte, com mais uma certeza. Ela nunca o esqueceria.

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