segunda-feira, 16 de maio de 2011

Sobre o mundinho de sonhos polidos

Eu podia te dar meu chão, eu sei que você precisa, mas eu não tenho um. O meu sumiu, ou nunca existiu mesmo.
Minhas raízes que me prendiam neste chão se desfizeram em terra quando eu fui crescendo. Aos poucos fui criando minhas raízes pra dentro.
Comecei criando amigos, companhias pra brincar. Acabei criando um mundo, quase real e muito tentador de mergulhar.
Talvez ninguém entenda o quanto o meu mundo inventado está perto de mim. E muitas vezes ele faz mais sentido que o mundo real.
Estou quase afogada nos meus sonhos.
Você quer um motivo para eu odiar filmes de terror? Eles se infiltram nos meus sonhos. Eu pisco e eles aparecem de novo.
É o mesmo para histórias tristes, porque elas sempre estão envoltas em horror.
E o meu mundo toma a forma do que me impressiona.
Me surpreenda e você fará parte dos meus sonhos. É por aí mesmo. É fácil.
Acho que seria mais saudável se eu vivesse mais com os pés no chão, mas não teria graça.
Minha vida não tem graça sem sonhos.
Quando minha vida for no mínimo tão interessante e surpreendente quanto as minhas fantasias, então eu tento largar este vício de imaginar tudo.
Por enquanto controlo meus próprios sonhos pegando emprestado fantasias alheias em formato de livros.
Li um não tão bom esse final de semana.
Escolhi este livro porque ele é laranja e lindo e na contra-capa dizia que qualquer coisa a falar deste livro estragaria a história, e eu achei interessante a sinopse do livro se recusar a ser sinopse.
Eu ía começar a falar dos livros e da minha concepção de um bom livro, mas isso dá outro post.
Numa outra hora eu continuo, por enquanto se satisfaçam com esse desabafo imperfeito de um menina cheia de sonhos.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Minha falta de motivos

Eu podia me vestir de desculpas. E eu tenho várias.
Falta de tempo, cansaço, tpm, as outras provas dessa semana...
Mas eu não vou fazer isso.
Quando começou esse ano, eu coloquei na minha cabeça que seria mais direta, que esconderia menos as coisas importantes.
Eu deveria estar estudando agora.
Mas eu não me importo.
Esse é o problema. Ultimamente não tenho me importado com quase nada.
Muito menos com repetir ou não uma matéria que eu não me interesso.
Mas eu estou me esforçando (pouco, é verdade) para estudar, ao mesmo tempo que eu não consigo parar de me perguntar se eu não seria muito mais feliz se eu estivesse fazendo artes plásticas ou qualquer faculdade mais humana, mesmo se eu não tivesse dinheiro. E talvez eu nunca alcançasse meus objetivos financeiramente falando, mas o que é que importa na vida mesmo?
Estou meio perdida.
Alguém me dá uma luz?
Ou um motivo para estudar?

sábado, 7 de maio de 2011

Água para elefantes

Acabar de ler um livro querido é uma situação muito esquisita. Faz algum tempo que não leio um que me prenda tanto a atenção. Na primeira página, eu mergulhei de cabeça e ainda me sinto como se estivesse no circo, onde se passa a história.
Passei a semana dividindo meus pensamentos, alegrias e tristezas com um velhinho e uma elefanta, meus dois personagens preferidos. Soube de seus medos, suas vergonhas, seus pecados e agora, de uma hora para outra, eles vão embora.
Me deixam aqui para continuar essa minha vida tão diferente e com tão menos cores do que as deles.
É que eles parecem tão reais que nem por um segundo assumo a possibilidade de que eles não tenham vivido de verdade. Me parece mais possível que eu mesma seja o personagem.
Acabo saindo, ou sendo arrancada, da história pela última página que contém um resumo, pela autora, das inspirações que a levaram a escrever o livro, e me pego vergonhosamente assombrada pelo fato de que eles só existem escritos.
Eles parecem muito mais reais do que muita gente por aí.
O livro é este, mas eu não sou fã de sinopses. Elas enganam a gente. 
Afinal, sinopses são resumos de livros e um bom livro não se consegue resumir. Qualquer palavra retirada é uma perda irreparável. Por isso as traduções e adaptações também são perigosas.
Caso alguém ainda não saiba, estão fazendo um filme dele. Não tenho certeza de que quero assistir. Vai ser decepcionante e eu não tenho dúvidas disso.
O circo que eu criei, com base em cada palavra, com a tenda branca e grená, a graça e a mágica do trem e a doçura e a inconstância dos animais, o melhor diretor do mundo nunca vai conseguir superar.