domingo, 17 de abril de 2011

Essa ausência assimilada

Estou com saudades de sentir aquele friozinho na barriga.
É esquisito isso.
Eu, a eterna apaixonada, que com o tempo troca de amores impossíveis para não dar tempo de ficar sem ter com quem sonhar acordada, ultimamente está sem ninguém para cair de amores.
Ás vezes sonho acordada com os amores antigos só pra não perder o costume da fantasia, que eu acho tão bonito. Mas não é a mesma coisa.
É estranho não ficar super ultra comovida por músicas românticas. Não pensar em ninguém em especial quando vejo um filme mais meloso.
Eu sinceramente não lembro da última vez em que isso aconteceu. Desde o Jardim que eu pulo de uma paixão não-correspondida para outra.
Agora, quando eu saio de casa para fazer qualquer coisa, não fico torcendo pra esbarrar com ninguém em especial. Na verdade, muitas vezes torço mesmo é pra não encontrar ninguém.
Minha companhia me é bem mais que suficiente.
Nunca foi assim, mas até que estou me acostumando bem...

"Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim."
Carlos Drummond de Andrade

3 comentários:

  1. Ah Su, que delícia passar por aqui. Hoje amanheci com esse poema de Florbela Espanca.
    É como me sinto quando te visito por aqui."Gosto das belas coisas claras e simples, das grandes ternuras perfeitas, das doces compreensões silenciosas, gosto de tudo, enfim, onde encontro um pouco de Beleza e de Verdade ...Porque há ainda no mundo, graças a Deus, almas-astros onde eu gosto de me refletir,almas de sinceridade e de pureza sobre as quais adoro debruçar a minha..."

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  2. Muito obrigada pelo carinho, Marta!
    =)

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  3. eu sinto um friozinho diferente na barriga, acho que eh saudade...

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