sábado, 23 de abril de 2011

Wanderlust

Trilha sonora de hoje.
Essa semana fui à Paquetá. Uma ilha linda, com aquela graça de cidade pequena. Todos se conhecem, se visitam e dividem espaço com bicicletas, cavalos e quase nenhum carro.
Pensei na beleza de ser feliz ali. Em crescer brincando na rua, se apaixonar pelo vizinho, casar, ter filhos, e ficar velhinha cuidando da casa e das criancinhas que passam pra visitar a vovó e comer biscoitos.
Tudo isso passou muito rápido pela minha cabeça enquanto eu passeava com uma bicicleta sem freio pelas ruas sem asfalto e dividia meus pensamentos entre o trabalho que eu tinha que fazer lá e a beleza daquele lugar. Passou rápido e foi embora. Eu nunca conseguiria viver com um horizonte tão pequeno, em um bairro tão pequeno, isolado do resto do mundo. Mas é bom de visitar.


*


Não sei se já falei aqui algo do tipo, mas a minha palavra preferida é Wanderlust.
Não é lá tão fácil traduzir com palavras, é sempre difícil colocar sensações em palavras. Acaba saindo um texto poético, e como toda poesia, com várias interpretações.
Quando eu esbarrei nessa palavra, percebi o quanto precisava dela. Sempre senti isso tão forte, e eu precisava de tantas palavras pra definir, e, como sempre, tenho muita dificuldade de organizar todos os pensamentos de um jeito compreensível.
Daí vem uma palavra, uma palavrinha só, e define tudo o que eu precisava. 
Wanderlust é a desejo irresistível de ir embora. De viajar, de sair de onde você está. De expandir os horizontes para todos os lados. Ir pra onde? Não importa. É uma angústia que quem já sentiu, entendeu na primeira frase do que eu estou falando. Aquele saber que você não pode ficar onde está. Simplesmente não pode, talvez você nunca saiba o porquê.
Saudade também é uma palavra bonita. É mais bonita por ser nossa. Por traduzir o carinho do brasileiro.
Mas eu tenho um mimo especial por Wanderlust.
Esse pavor de criar raízes por aqui. Ou em qualquer outro lugar.
Para mim, ela não tem a concepção quase fútil de conhecer todos os lugares do mundo por curiosidade ou coisa do tipo. Não é uma opção por vontade. Não é nem vontade. É mais falta de opção mesmo, uma angústia que não deixa a gente. Que obriga o movimento. Não deixa a gente ser feliz parado. Não sei se consegui definir direito. Para mim essa palavra é muito mais do que palavra. É que nem amor ou liberdade que você sente e não sabe explicar.

Gosto demais dessa palavra, e acho que é porque ela é muito, muito minha.

domingo, 17 de abril de 2011

Essa ausência assimilada

Estou com saudades de sentir aquele friozinho na barriga.
É esquisito isso.
Eu, a eterna apaixonada, que com o tempo troca de amores impossíveis para não dar tempo de ficar sem ter com quem sonhar acordada, ultimamente está sem ninguém para cair de amores.
Ás vezes sonho acordada com os amores antigos só pra não perder o costume da fantasia, que eu acho tão bonito. Mas não é a mesma coisa.
É estranho não ficar super ultra comovida por músicas românticas. Não pensar em ninguém em especial quando vejo um filme mais meloso.
Eu sinceramente não lembro da última vez em que isso aconteceu. Desde o Jardim que eu pulo de uma paixão não-correspondida para outra.
Agora, quando eu saio de casa para fazer qualquer coisa, não fico torcendo pra esbarrar com ninguém em especial. Na verdade, muitas vezes torço mesmo é pra não encontrar ninguém.
Minha companhia me é bem mais que suficiente.
Nunca foi assim, mas até que estou me acostumando bem...

"Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim."
Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Estrelas no cantinho do caderno

Eu poderia dizer que não tive tempo de postar todos esses dias e eu aposto que ninguém que conhece a minha vida duvidaria. Mas na verdade nem foi por isso.
Tem tantas coisas que eu sinto e não sei explicar. Será que é por isso que sou mais quieta que as outras pessoas? 
Passei algumas semanas sem escrever. Nem sequer uma frasezinha no verso do caderno. Nem versinho a caneta na palma da mão. Nem post no blog secreto. Nem um tweet. Nada. 
Todas as minhas palavras foram substituídas por desenhos bestas  e assinaturas em toda superfície que seja boa de escrever.
E o que acontece aqui dentro parece grande demais para caber em palavras. 
E agora?
Será que existe vocabulário pra descrever tudo isso?
Talvez as palavras existam mesmo, mas eu estou com medo de tentar decifrar essas coisas que estou sentindo.
E conseguir.