terça-feira, 9 de novembro de 2010

Extra Natal

Hoje tive uma entrevista para trabalhar no Natal. A terceira entrevista da mesma empresa.
Me deram uma folha com perguntas e tentei respondê-las o mais francamente possível.
Mas daí veio o "O que você faz para lidar com seus defeitos? Cite alguns." e deu um nó em mim. Quais defeitos interessariam ao emprego? Porque com certeza eles não estão nem aí para a minha dificuldade em relacionamentos ou com o mistério das notas altas nas matérias difíceis e baixas nas fáceis. Acabei respondendo que sou tímida em certas ocasiões e que sou muito transparente. Não consigo esconder quando não gosto de alguma coisa. Isso é um problema para uma vendedora. Nem todas as roupas são bonitas.
E quando eu achava que estava terminando, a moça vem com uma folha em branco em punho dizendo que tenho que escrever uma redação de tema livre.
Ai. E agora? Será que eles têm contratados aqueles especialistas em descobrir toda a personalidade da pessoa pelo jeito que ela escreve? E se eles mandarem a minha redação para uma psicóloga? Ai ai... Será que ela vai descobrir coisas sobre mim que eu ainda não sei?
E daí veio o bloqueio da folha em branco. Nas aulas de redação do colégio e até no vestibular lembro de me assombrar toda vez com a imprevisibilidade do papel vazio. Dali a menos de uma hora ele estava completamente preenchido, seja pelo melhor texto que já escrevi, ou pelo pior. Mas enquanto ele é branco o potencial é grande.
Pensei em usar um texto que já escrevi aqui no blog, mas de algum lugar me veio uma coragem e pensei que era uma oportunidade de alimentar uma idéia nova. E eis que nasceu "A Fuga", a história de Paulo que queria fugir de sua vida burocrática e acabou levando sua esposa para a República Tcheca sem data para voltar. Ficou bom o texto, queria fazer um post dele se o tivesse a mão.
Li, reli, contei e recontei as 24 linhas. Ela tinha dito por volta de 20. Ou será que era no máximo 20? Ai, ai! Será que escrevi demais?
Eis que entra a responsável pelo RH. Diferente das que já tinha contato em outras empresas. Simpática, como todas as outras, só que mais velha. Conversa vai, conversa vem. Aquele mesmo blá, blá, blá da minha vida.
"Eu gosto de correr, ver filmes com os amigos, andar de bicicleta."
"Uhum. Eu tenho um irmão e uma irmã. Os dois mais velhos."
E depois, ela disse que eu tinha que voltar na semana seguinte para entregar os documentos e que já estava certo que eu trabalharia na empresa, era só eu querer.
Pra que o interrogatório? Pra que a redação?
Engoli a vontade de falar para ela pelo menos ler o texto.
Depois pensei, eles devem guardar isso como cartas na manga. Para analisar minha personalidade ao menor deslize. Fiquei desconfiada.
Sempre tenho um pé atrás quando as coisas são muito fáceis de conseguir.

Um comentário:

  1. Lindinha, não se preocupe tanto com essas "cartas na manga"... aproveite!
    E parabéns pelo emprego!
    Venda bastante e tente não mostrar que a roupa que vc está vendendo é tão feia (como os shorts saco de batata!).
    Beijinhos

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