segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Seria doce meu lar

De vez em quando a gente esbarra com as letras de músicas que a gente sempre ouviu e nunca prestou atenção, e surpreendem a gente com tanto sentido. Tipo essa daqui, sobre desapego.


quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Brincando de escrever

Criei uma brincadeira. E divirto-me com ela.
Hoje tive outra entrevista e outra redação.
Dessa vez, a história foi sobre Paula, uma menininha que nasceu para mudar o mundo, mudar as vidas alheias. Ficou fofo o texto. Uma menina que poderia muito bem ser filha do Paulo do outro texto, nascida na República Tcheca. Sem querer, criei uma família.
Estava sozinha em uma saleta mal iluminada com a folha e a caneta na mão quando me dei conta da brincadeira que se construiu sozinha, e não pude deixar de rir.
Sempre que precisar escrever um texto, entrelaçarei de algum jeito com os outros, já escritos e devidamente guardados em arquivos de recursos humanos.
Me sinto distribuindo peças de um quebra-cabeça.
Fantasiei um poeta-detetive recolhendo os textos como se fossem pistas. Montando e desmontando as histórias.
Fantasias são fantasias, não tem nenhuma obrigação de virar realidade.
Mas o melhor dessa brincadeira é que traz poesia (e diversão) às entrevistas de emprego.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Extra Natal

Hoje tive uma entrevista para trabalhar no Natal. A terceira entrevista da mesma empresa.
Me deram uma folha com perguntas e tentei respondê-las o mais francamente possível.
Mas daí veio o "O que você faz para lidar com seus defeitos? Cite alguns." e deu um nó em mim. Quais defeitos interessariam ao emprego? Porque com certeza eles não estão nem aí para a minha dificuldade em relacionamentos ou com o mistério das notas altas nas matérias difíceis e baixas nas fáceis. Acabei respondendo que sou tímida em certas ocasiões e que sou muito transparente. Não consigo esconder quando não gosto de alguma coisa. Isso é um problema para uma vendedora. Nem todas as roupas são bonitas.
E quando eu achava que estava terminando, a moça vem com uma folha em branco em punho dizendo que tenho que escrever uma redação de tema livre.
Ai. E agora? Será que eles têm contratados aqueles especialistas em descobrir toda a personalidade da pessoa pelo jeito que ela escreve? E se eles mandarem a minha redação para uma psicóloga? Ai ai... Será que ela vai descobrir coisas sobre mim que eu ainda não sei?
E daí veio o bloqueio da folha em branco. Nas aulas de redação do colégio e até no vestibular lembro de me assombrar toda vez com a imprevisibilidade do papel vazio. Dali a menos de uma hora ele estava completamente preenchido, seja pelo melhor texto que já escrevi, ou pelo pior. Mas enquanto ele é branco o potencial é grande.
Pensei em usar um texto que já escrevi aqui no blog, mas de algum lugar me veio uma coragem e pensei que era uma oportunidade de alimentar uma idéia nova. E eis que nasceu "A Fuga", a história de Paulo que queria fugir de sua vida burocrática e acabou levando sua esposa para a República Tcheca sem data para voltar. Ficou bom o texto, queria fazer um post dele se o tivesse a mão.
Li, reli, contei e recontei as 24 linhas. Ela tinha dito por volta de 20. Ou será que era no máximo 20? Ai, ai! Será que escrevi demais?
Eis que entra a responsável pelo RH. Diferente das que já tinha contato em outras empresas. Simpática, como todas as outras, só que mais velha. Conversa vai, conversa vem. Aquele mesmo blá, blá, blá da minha vida.
"Eu gosto de correr, ver filmes com os amigos, andar de bicicleta."
"Uhum. Eu tenho um irmão e uma irmã. Os dois mais velhos."
E depois, ela disse que eu tinha que voltar na semana seguinte para entregar os documentos e que já estava certo que eu trabalharia na empresa, era só eu querer.
Pra que o interrogatório? Pra que a redação?
Engoli a vontade de falar para ela pelo menos ler o texto.
Depois pensei, eles devem guardar isso como cartas na manga. Para analisar minha personalidade ao menor deslize. Fiquei desconfiada.
Sempre tenho um pé atrás quando as coisas são muito fáceis de conseguir.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

If you just hold on, maybe life could be sweet

Hoje, enquanto as meninas olhavam umas roupas numa loja de departamentos eu fiquei imaginando como será quando eu tiver o meu apartamento e precisar comprar vários pijamas para as garotas dormirem lá em casa sem precisar programar.
Pensei na decoração, nos móveis, nas "tatuagens" nas paredes, nos quadros de fotos, no adesivo de pinguim na geladeira, na porta colorida, nas cadeiras coloridas, em cada cor.
Pensei na privacidade, na música clássica bem alta pra me ajudar a cozinhar, no treino de francês em voz alta sem reclamações pela repetitividade, na idéia de me jogar no sofá, ficar olhando para o teto e sonhando acordada sem precisar fingir que estou lendo ou fazendo qualquer outra coisa só para não me atrapalharem.
Pensei também nas festinhas, na bagunça, na cerveja gelada, no cachorro ou gato, ou os dois, no bolo para mimar o vizinho que nem nos filmes americanos, no estoque de biscoitos e porcarias (frutas e saladinhas também para os dias mais saudáveis), em receber a Ana quando ela vier visitar, em jogar baralho com a galera e rir até a barriga doer e mesmo assim não conseguir mais parar de rir.
Pensei em quando eu explodir de orgulho deste apartamento que eu tanto sonhei e lutei para conquistar.
E quando penso no que não vai dar certo, até isso me parece tão doce.
E me dá uma vontade de voar no tempo. Ah, eu só queria dar uma espiadinha...