domingo, 26 de setembro de 2010

Dentro do meu travesseiro

Trilha sonora para os posts de hoje


Era uma vez, um cãozinho. Era um filhotinho de beagle (aquela raça não muito inteligente) e o dono disse que ele teria que ser sacrificado por ser mais fraco que os outros. O velhinho que cuidava dos cachorros não se conformou. Não sentia pena, apenas se recusava a jogar fora uma vida. Então soltou o bichinho.
Era uma vez, um cãozinho livre. Alegre e brincalhão, ele corria de uma lado para o outro. Mas o velhinho que cuidava dele não pode impedir que o cãozinho descobrisse que era doente.
Era uma vez, um cãozinho que achava que seu coração batia diferente dos outros. Seus olhos vazios denunciavam, era desespero puro em forma de cãozinho. Até que se recostou num peito humano e chorou de emoção por descobrir que todos os corações batiam igual. Não estava doente. E era livre.
Era várias vezes, um cãozinho feliz.

Nublado

Acontece o tempo todo mas só presto atenção quando os dias ficam feios e dá preguiça de arrumar a cama e as roupas jogadas em cima da poltrona, e tudo dentro mim faz questão de entrar em sintonia com a bagunça do quarto.
Bate uma saudade de uma época em que não vivi e sinto falta de nem sei direito o que. Vida amorosa, financeira, acadêmica, tudo vira uma bagunça sem tamanho. E agora?
Estou perdida dentro de mim.
Só me resta esperar o sol voltar e com ele meu caminho para continuar.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

"Provar pra todo mundo que eu não precisava provar nada pra ninguém"

De vez em quando dá uma vontade de apagar tudo que se pode apagar da internet.
Orkut, Facebook, Msn, Blog, Fotos, E-mails.
Só porque parece que todas essas coisas são tentativas de afirmar quem sou, o que faço e como é minha vida para todos a minha volta. E eu não preciso provar nada pra ninguém.

E então penso, vou apagar para provar o que? E pra quem?

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

"A tua ausência fazendo silêncio em todo lugar"

Hoje foi uma das poucas vezes que sonhei com ele. Prefiro não citar nomes, então quando eu me referir a "ele" neste texto, será sempre a mesma pessoa.
Como das outras vezes, foi um sonho perturbador e pouco romântico, exatamente como é na vida real. No sonho tive inúmeras oportunidades de falar que gostava dele, mas preferi não fazê-lo. Ele me tratava ao mesmo tempo com carinho e desapego. E no fim, ele havia ido embora, e eu corria desesperada para lhe dar um abraço de despedida. Tudo o que eu queria era um abraço, mas não conseguia chegar até ele. Não conseguia sair da minha casa. As portas estavam trancadas e quebravam na minha mão. Eu sabia que tudo entre a gente tinha acabado - acho que é essa a principal diferença entre o sonho e a minha vida. - mas queria me despedir direito. Exatamente antes de acordar, estava no elevador brigando, triste, do lado de fora da casa e sem conseguir trancar a porta para os ladrões não entrarem, sabendo que não havia mais chances de alcançá-lo, sentindo enjôo por saber - como se descobre de repente nos sonhos - que ele estava indo embora acompanhado.
Isso tudo porque eu queria lhe dar um abraço.




Apesar da minha pouca experiência em relacionamentos, sempre fui uma boa ouvinte, então muito do que sei sobre amor e relacionamentos é proveniente das experiências alheias.
Obviamente o amor é diferente para homens e mulheres, e com tudo o que ouvi e vivi, criei uma teoria, desenvolvida de uma grande, imensa, monstruosa, generalização.
Mulheres são todas feitas para doação. Da ponta do cabelo ao dedão do pé. Precisamos de alguém que receba todo amor, carinho e atenção que temos para dar e ficamos felizes quando fazemos os outros felizes, mas exigimos que o foco esteja em nós, já que somos nós que doamos tudo que temos.
E os homens precisam desse amor e carinho. São feitos para receber e dominar. É claro que eles amam de volta, mas o amor é diferente, é envolto em músicas com letras românticas, recheado de conforto, proteção, sexo e ciúmes.
Às vezes eu penso que essa dificuldade para relacionamentos  vêm da minha vontade de achar alguém que saiba receber todo esse amor, mas a impressão que tenho é que nem se todo o universo resolvesse receber e absorver meu amor, seria suficiente para não me fazer explodir de amor.
Não é só o excesso de sonhos. Sofro também de excesso de amor.

domingo, 5 de setembro de 2010

Fica a poeira se escondendo pelos cantos

Esbarrei na letra de Teatro dos Vampiros agora e me toquei que toda vez que quero escrever alguma coisa, procuro antes alguma música que já tenha a mensagem pronta, seja para procurar inspiração ou mesmo fazer diferente. Elas falam o que a gente tem tanta dificuldade de colocar no papel.
Engraçado pensar que tanta gente já sentiu o que parece que só eu no universo sinto.

sábado, 4 de setembro de 2010

Segredos e surpresas

Me senti naquele brinquedo de encaixar de bebês. Eu tinha certeza que o cubo cabia no círculo, e fiquei ali forçando, tentando encaixar. Eu e minhas metáforas idiotas.
Estava pensando em expectativas e surpresas.
Às vezes criamos expectativas em cima de ilusões e nos decepcionamos. E, às vezes, - e eu estou com problemas em lidar com isso - criamos expectativas em cima de fatos, palavras, olhares, e, de uma hora para outra, tudo muda. Porque você estava vendo tudo diferente. Porque você estava tentando encaixar o cubo no círculo.
Não é com tristeza que digo isso. Nem raiva. Mas com um espanto que não cabe em mim.
Usando mais uma metáfora horrível, é tipo um poodle cão de guarda. Quando você vê um poodle você cria uma expectativa. Quando você pensa em um cão de guarda você cria outra completamente diferente. A junção das duas é no mínimo estranha.
Sério, essas coisas me assustam.
Pessoas me assustam.