sábado, 21 de agosto de 2010

A casa fica bem melhor assim

Para ouvir enquanto lê.
Hoje arrumei meu quarto. Mas não foi como sempre faço que pego os papéis da faculdade, organizo por matéria e enfio todo o resto em gavetas já afogadas de inutilidades.
Hoje eu fui mais fundo. Juntei toda minha coragem e limpei o que eu guardava com tanto carinho, o que eu não deixava ninguém mexer. Lembrei de tanta coisa. Joguei tanta coisa fora. Espanei meus sonhos e só guardei o que ainda prestava.
Sentei no chão, coloquei pra tocar a discografia do Jack Johnson e me cerquei de lembranças. Todas ao alcance da mão. Enquanto as encarava, tocava "Losing Hope" e eu pensava em como tudo podia ter sido tão diferente. Mas não foi.
Engraçado como parece que a gente não tem controle nenhum sobre as nossas vidas. Porque eu passei um bom tempo brincando com aquela história de adolescente de que sou dona de mim mesma, que posso tudo que eu me permitir e que ninguém tem o poder de me impedir porque a vida é só minha. Até encarar que a vida é um grande jogo de azar, a gente estuda o jogo, descobre táticas, mas na verdade nossa responsabilidade é escolher os números e esperar que sejam os sorteados.
Amor, felicidade, sorte, são móbiles de berço. São lindos mas estão sempre longe e a gente não consegue saber porque. E a graça é aproveitar o pouco tempo que temos aqui apesar de tudo. Aproveitar mesmo se tudo der errado. E é tão bonito isso. Como a gente não se assombra com a beleza disso todos os dias? Porque a gente realmente devia. A gente devia fazer o máximo para todos os dias valerem a pena. Devíamos usar tudo o que podemos para mudar nossas vidas. Escolher todos os números, entende? Participar de todos os sorteios.
A gente têm tanto medo de errar que acaba nem tentando. A gente devia lembrar que o tempo é curto. Sempre.
Porque senão vai ter um dia em que você vai sentar no chão do quarto, lembrar de tudo e desejar ter feito diferente. E não vai adiantar nada.
Hoje limpei o quarto, as lembranças, os sonhos, a vida. Joguei fora o que não queria lembrar. Arrependimentos, histórias, presentes,  expectativas, tudo foi pro lixo, separados em saquinhos de plástico.
Estou mais leve agora. Estou bem.
Organizei as fotos que mais gosto em dois murais grandes pendurados nas paredes. É bom ver os rostos de quem gosto o tempo todo. Me foquei nas boas lembranças.
Que todo o resto vá embora. O que realmente importa não preciso de coisas para lembrar.

3 comentários:

  1. Oi lindinha! Eu também "Joguei fora o que não queria lembrar" na minha última limpeza! E concordo que a casa fica melhor assim...

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  2. Xuxu!
    Saudades suas!

    Bing!
    http://www.youtube.com/watch?v=5P6UU6m3cqk

    Beijos!
    Di

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  3. Ai que liiiiiindo!!
    Tadinho! Fica até sem ar de tanto rir

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