terça-feira, 22 de junho de 2010

Pequeno tropeço

Chega um dia em que você cansa de sofrer. É aquele cansaço de sobreviver que eu falei em outro tempo.
Você percebe que o dia está chegando porque a cabeça fica mais difícil de levantar. Você precisa de uma força bem maior do que o normal para continuar a rotina.
É uma gota a mais. Mais uma coisinha que dá errado, e você diz: Não, destino! Chega! Já tá difícil o suficiente!
E pela falta de resposta, você se descobre falando sozinho.
Parece abismo, mas é mais como um meio-fio. Passar de um lado para o outro é bem fácil e, para a sua surpresa, você sobrevive. Mas do outro lado, tudo é mar calmo.
Aquele "não sei" cheio de adrenalina frente a uma decisão, querendo escolher o melhor, vira um "tanto faz" desacreditado de que vá fazer qualquer diferença. E a escolha sai até mais fácil.
Mais uma ou mil coisas dando errado, tanto faz. Já passou o limite.
A indiferença te destrói aos poucos e por dentro. As reações ficam anestesiadas.
Te perguntam: Tá tudo bem? Você tá estranha. Tá com dor?
Você muda de assunto. Não tá tudo bem. Tá doendo. Mas o que se há de fazer? Preocupar os outros com meus altos e baixos? Não é essa a intenção.
Me falam que sou apressada. Que devia ter mais paciência.
E eu pergunto: Mais? Mais do que eu já tenho?
Estou esperando pacientemente, mas é que sou desastrada e tropecei no meio-fio.

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