sábado, 8 de maio de 2010

Do banco alto

Entrei no ônibus e depois de passar a roleta, olhei instintivamente para os bancos altos para ver se estavam ocupados. Não estavam. Pura alegria.
Sentei - do lado da janela, lógico! - e fiquei pensando se atitudes como essa me fazem muito infantil.
Sim, eu saltito e danço pela rua sem me importar se estão olhando.
Sim, chocolate me faz feliz. E eu como menos no almoço para poder repetir a sobremesa.
Abro a janela quando passo pelo Aterro só para ter aquele vento forte batendo no rosto, que nem aqueles cachorros babões.
Amo abraços.
Adoro correr, brincar de pique-pega, pique-esconde, andar de bicicleta, desenhos animados, quadrinhos e brinquedos em geral - tenho uma certa fascinação por Lego.
Pensei que, se ouvisse alguém falando isso, "maduro" não seria o primeiro adjetivo que me viria à cabeça.
Mas perder essas coisas está tão relacionado assim com ganho de maturidade?
Na hora lembrei de um trecho de Oswaldo Montenegro. Parecia que estava esperando silenciosamente no fundo da minha memória para atacar na hora certa.
"Quantos defeitos sanados com o tempo eram o melhor que havia em você?"
Sabe, gosto dessa minha criancice.
Reclamem das minhas reações infantis a discussões. - Sou avessa a discussões. Acho que não levam a nada. Às vezes evito tanto o confronto que acabo sendo rude ou teimosa.
Podem dizer que eu não sei lidar com relacionamentos de casal. É verdade. Não sei mesmo. Só faço merda. Me aproximo de quem não quero e afasto quem quero perto.
Pessoas que gosto de verdade me deixam nervosa e acabo falando besteiras. Infantil? Ok.
Teimosa, romântica, sonhadora, orgulhosa.
Sou infantil por causa disso? Tudo bem. Eu entendo isso.
Mas nunca vou entender as tentativas de julgar minha maturidade por levar a vida na brincadeira.
Talvez eu seja muito menina mesmo. Mas quem sabe essa não é uma fase de vida inteira?
Se até hoje não perdi a alegria de dançar pelas ruas, por que, ó céus, perderia ela agora? Ou daqui há alguns anos?
Se essas coisas acabarem sendo só parte de uma fase passageira mesmo, será uma pena. Perder o que mais me dá alegria.
Mas por enquanto estou bem tranqüila, vendo tudo um pouco mais de cima. Do banco alto.

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