quarta-feira, 26 de maio de 2010

Daydreaming

Não sou fria. Muito pelo contrário. Sou romântica e idiota.
Mas de uns tempos pra cá tenho sido obrigada a ver tudo com mais frieza.
E estou lidando com essa obrigação como se fosse escolha minha. Uma peça que estou pregando nos meus sonhos para ver quem manda em quem.
Eles tentam me dominar todos os dias. E eu estou tentando os conter.
Como um dono passeando com seus dez cães queridos, gordinhos e babões, eu somente os consigo dominar porque não conhecem sua força. Se todos puxarem ao mesmo tempo, estou perdida.
De vez em quando perco o domínio sobre um que me invade a cabeça sem nem um "bom dia". E é tão difícil expulsá-lo que acabo o alimentando e tecendo uma história em volta dele.
Sempre achei que pensava diferente das outras pessoas. Os meus pensamentos geralmente formam retalhos de histórias com falas e gestos determinados.
Há muitos detalhes em um devaneio. E os meus têm o costume de serem completos. A quantidade de luz no ambiente é ideal, assim como as cores das paredes, as roupas, os carros passando, o tom de voz, o exato ecoar do toque da campainha. Tudo é simples, completo e lindo.
E enquanto não sou interrompida ou não crio um bom final para a história, não consigo largá-la de boa vontade. Ou então é ela que não me deixa ir embora sem um beijo de despedida. Só para deixar o gostinho para a próxima vez.
Somente os melhores devaneios voltam, porque estão ligados aos sonhos mais queridos. Os outros evaporam no momento em que eu viro o rosto e vejo um vestido colorido ou uma criança rindo.
Eu disse a verdade quando disse que sofro de excesso de sonhos.
Eu finjo meu domínio sobre eles e eles fingem que me obedecem entre uma piscadela e um cruzar de dedos.

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