domingo, 2 de maio de 2010

Convenções sociais

Nunca fui muito boa em relacionamentos de casal. Acho que no fundo não tenho muita vocação e por isso acho muito graça de algumas coisas idiotas.
Tipo quando o cara liga "só para cumprir contrato". Saí com um cara nesse final de semana que me ligou e disse: "Sabe o que é? É que eu te liguei porque tava com vontade de ir ao cinema. Sei lá." Senti que um silêncio constrangedor ía começar se eu não respondesse logo, mas só me vinham respostas mal-criadas na cabeça: "Ah que legal! Me liga quando você tiver vontade de ir ao banheiro também! Adoro saber das vontades alheias. É um fetiche meu." Ou então: "Ah, é? Chama a sua mãe! Acho lindo programas em família. Vai ver um filme nacional! Aproveita e incentiva a cultura do país! Dou a maior força!"
Acabei respondendo uma meia-verdade. Ele não questionou e foi gentil o suficiente para esconder o alívio. No fundo nem eu nem ele queríamos sair juntos.
Acho muito estranhas essas convenções sociais. Principalmente porque elas são proibidas de serem comentadas com a pessoa. Eu seria a louca se falasse que simplesmente não queria ir ao cinema com ele e que, vamos ser sinceros, ele também não queria sair comigo. Ele não assumiria nunca, ficaria quieto e se protegeria com o fato de que foi ele que me ligou e eu que recusei.
Mas se ele não tivesse me ligado... Ah! Daí ele seria o idiota! Porque ele tinha que ligar. Mesmo se ele não quisesse realmente sair comigo naquele dia. Só para manter a convenção.
E o pior é que é verdade.
E se ele pedir meu orkut, seguindo a convenção, vou ter que apagar esse post.

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