domingo, 9 de maio de 2010

Ah, Romeu!

Ele está ali, parado, me olhando com aquela cara de bobo. Um sorriso fixo. Acabou de virar o rosto, está tentando se policiar pra não cruzar o olhar comigo de novo, mas não consegue. Se força a olhar pra baixo. Está tentando disfarçar o quanto gosta de mim.
E eu me pergunto: Por que? Por que eu não gosto dele da mesma forma? Seria tão mais simples.
Mas não... A dificuldade faz tudo muito mais emocionante.
Quando você está com alguém, aquela pessoa nunca é suficiente, mas quando está longe e especialmente quando não pode ser sua, a paixão explode. Parece que é a maior do mundo. E quando a dificuldade acaba, acaba também a paixão.
O que seria de Romeu e Julieta se suas famílias fossem amigas? Não se importariam um com o outro provavelmente. Ou talvez o pai de Julieta dissesse que ela deve se casar com Romeu mesmo contra sua vontade e a história seria outra. Também sofrível, mas diferente.
Talvez seja essa nossa vontade de viver algo incrível que Elenita descreve tão bem num dos posts do seu blog (aqui!). Essa vontade de viver uma história difícil e importante que faz a gente querer quem não cabe no nosso mundo. Quem só pertence aos sonhos da gente. E quando a pessoa decide gostar de volta, acaba a magia. Você enxerga que o que você queria era só atravessar os obstáculos e a grama do outro lado nem é tão verde como parecia de longe. E fim.
Puro masoquismo sentimental.


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