sexta-feira, 23 de abril de 2010

Esperança

Amores não-correspondidos, segredos bobos, discussões inúteis, críticas dolorosas...
Fábio resumia sua vida enquanto examinava sua imagem apática em um espelho de bolso. Sua pele era branca demais, seus olhos, pequenos demais.
Pensamentos tristes ocupavam sua cabeça. Lembranças de corações partidos e dores profundas e incessantes.
Sempre havia escondido tantas coisas.  Medos, amores, dúvidas. Havia se fechado em tantos momentos. E por que? Pensou que talvez a vida seja muito curta para que façamos dessas coisas mistérios e talvez tivesse sido melhor falar a verdade no momento em que ela havia sido importante. Agora já não fazia diferença.
Pensou nos erros que cometeu. E nos pedidos de desculpas ainda guardados porque faltou a coragem para falar. Pensou nos erros que não perdoou. Já não eram mais importantes.
Aproximou o espelho e olhou mais fundo nos seus olhos secos. Enxergou a mágoa entranhada. Respirou fundo.
Já não era a mesma pessoa de alguns anos atrás. Aquela outra pessoa estava acostumada à felicidade. Havia quem se importasse com ele naquela época.  Havia trocas de sorrisos e o telefone tocava com boas notícias ou conversas do dia-a-dia.
Tentou sorrir. Não conseguiu. Não havia mais ninguém. Não havia alegria. Já não conseguia encarar seus próprios olhos, marejados pelas lembranças simples de felicidade.
Desistiu de levar o espelho. Colocou-o dentro de uma das gavetas, fechou sua mala e a levantou sentindo sua leveza. Não queria levar muitas coisas. Não havia mais espaço para lembranças. Estava fugindo. Daquela casa. Daquela vida. De si mesmo.
Saiu e fechou a porta, sabendo que talvez seu passado o seguisse aonde quer que fosse. Mas se forçou a pensar em outra coisa. Ele era forte e estava lutando. Fugir de si era sua única esperança de retomar a felicidade.

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