sábado, 24 de abril de 2010

Here comes the sun, tchurururu

Estava triste ouvindo "O Nosso Mundo" do Barão Vermelho na função repeat quando fui salva por uma amiga com um assunto mais importante do que minha melancolia inútil de quem se prende ao passado.
E eu decidi que não, eu não voltaria no tempo! Não viveria de novo nenhum momento. Decidi que quero coisas novas. Não o meu passado gasto.
Mesmo que eu pudesse escolher, estaria neste exato momento.
E isso traz uma sensação boa.

Alguém sem amigos tem alegria?
Eu não acredito que isso seja possível.
Muitas vezes posso me fazer de forte, fingir que posso seguir sozinha, mas a verdade é que eu não sei o que seria de mim sem os meus amigos.
Eu sou o que sou porque eles são fortes por mim quando eu não consigo ser. Eles me abraçam se eu começo a chorar. Ficam bravos com quem me faz mal. Apontam friamente o que preciso e não quero ver. De vez em quando riem das minhas piadas idiotas. Me ligam para contar pequenas conquistas e pequenos desastres. Não, eles não fazem tudo o que eu quero. Isso seria escravidão. Eles fazem tudo o que eu preciso e me surpreendem com algumas coisas simples que os fazem ainda melhores do que eu esperava. O que mais eu posso pedir?
Cinco minutos de conversa e o meu dia fica mais leve. Parece mágica.
Obrigada amigos, pela força, pelo carinho, pelo amor. Por tudo.
E desculpa não falar pessoalmente. Escrever pra mim sempre foi mais fácil.


sexta-feira, 23 de abril de 2010

Esperança

Amores não-correspondidos, segredos bobos, discussões inúteis, críticas dolorosas...
Fábio resumia sua vida enquanto examinava sua imagem apática em um espelho de bolso. Sua pele era branca demais, seus olhos, pequenos demais.
Pensamentos tristes ocupavam sua cabeça. Lembranças de corações partidos e dores profundas e incessantes.
Sempre havia escondido tantas coisas.  Medos, amores, dúvidas. Havia se fechado em tantos momentos. E por que? Pensou que talvez a vida seja muito curta para que façamos dessas coisas mistérios e talvez tivesse sido melhor falar a verdade no momento em que ela havia sido importante. Agora já não fazia diferença.
Pensou nos erros que cometeu. E nos pedidos de desculpas ainda guardados porque faltou a coragem para falar. Pensou nos erros que não perdoou. Já não eram mais importantes.
Aproximou o espelho e olhou mais fundo nos seus olhos secos. Enxergou a mágoa entranhada. Respirou fundo.
Já não era a mesma pessoa de alguns anos atrás. Aquela outra pessoa estava acostumada à felicidade. Havia quem se importasse com ele naquela época.  Havia trocas de sorrisos e o telefone tocava com boas notícias ou conversas do dia-a-dia.
Tentou sorrir. Não conseguiu. Não havia mais ninguém. Não havia alegria. Já não conseguia encarar seus próprios olhos, marejados pelas lembranças simples de felicidade.
Desistiu de levar o espelho. Colocou-o dentro de uma das gavetas, fechou sua mala e a levantou sentindo sua leveza. Não queria levar muitas coisas. Não havia mais espaço para lembranças. Estava fugindo. Daquela casa. Daquela vida. De si mesmo.
Saiu e fechou a porta, sabendo que talvez seu passado o seguisse aonde quer que fosse. Mas se forçou a pensar em outra coisa. Ele era forte e estava lutando. Fugir de si era sua única esperança de retomar a felicidade.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Nada demais

Gostaria de adicionar uma coisa à minha lista de felicidade: ouvir a outra pessoa falando meu nome no meio de uma conversa.
Não sei qual poderia ser uma justificativa. Nem pra que essa justificativa serviria.
Mas sabe quando se abre um sorriso por dentro? É engraçado. E simples.
Eu adoro quando as pessoas usam meu nome falando comigo.

sábado, 10 de abril de 2010

Mudanças


Ninguém entendeu o que eu queria.

Sabe quando você acha que sua vida está tomando um certo rumo, e então de repente, você vê que mudou drasticamente?
Você tinha objetivos, planos, metas.
E então surgiram outras que, de uma hora para outra, ocuparam o lugar das antigas. E você se vê, novamente, no ponto de partida.
Você está tão perto de chegar onde queria, e então você olha de novo e pensa: "Mas eu não queria estar aqui! O que eu estou fazendo?"
E lá está você, exatamente onde queria estar, não fazendo mais sentido nenhum estar ali.

Tenho medo de mudanças. Mas tenho que confessar que nem todas as mudanças são ruins e até poderia enumerar algumas grandes que eu gostaria que acontecessem na minha vida.
E talvez essa mudança de rumo não seja ruim de todo.
E não é o tipo de mudança prática, do tipo, mudar de faculdade, mudar de apartamento. É mais emocional.

Talvez eu seja muito mais complicada do que eu pensava.
Engraçado. Quando eu era mais nova, me considerava simples de entender e sensata. Agora me vejo completamente emocional, precipitada e complicadíssima.

Ninguém entendeu o que eu queria porque as pessoas têm dificuldades de absorver mudanças drásticas. Elas entendem o mundo com uma espécie de inércia entranhada, achando que as coisas vão continuar as mesmas e se surpreendendo com as mudanças.
Eu mesma não entendi direito o que eu queria.
Não culpo ninguém. Nem a mim.
Mas, acredite, as coisas mudaram.