quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Não ter sapatilhas impediria uma bailarina de dançar?

Poderia dizer que me sinto amarrada, impotente. Mas não é verdade.

Me sinto uma bailarina sem sapatilhas em uma apresentação que parece que nunca vai acabar.

Nunca fui apaixonada por metáforas, mas existem algumas que são bonitas mesmo. E ballet é sempre bonito.
O mais incrível do ballet é a contradição que existe na relação da força da bailarina com a leveza da sua dança.
Apesar de todo o esforço e dor, a dança sempre sai linda.

Em uma apresentação, uma bailarina pára de dançar quando se cansa? E tendo uma oportunidade, desiste de sua paixão por não ter sapatilhas?

Não há como parar de dançar. Nem como dançar melhor.

Minha dança é minha vida. Meus passos de ballet são minhas escolhas. Frágeis e inseguras muitas vezes. Erradas outras vezes. Mas eu improviso e sigo dançando.
Me sinto sem sapatilhas. Sabendo que poderia parar ou dançar muito melhor se conseguisse que meu pés parássem de gritar. Mas não.

Não há como parar de viver. Nem como viver melhor.

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