quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Não ter sapatilhas impediria uma bailarina de dançar?

Poderia dizer que me sinto amarrada, impotente. Mas não é verdade.

Me sinto uma bailarina sem sapatilhas em uma apresentação que parece que nunca vai acabar.

Nunca fui apaixonada por metáforas, mas existem algumas que são bonitas mesmo. E ballet é sempre bonito.
O mais incrível do ballet é a contradição que existe na relação da força da bailarina com a leveza da sua dança.
Apesar de todo o esforço e dor, a dança sempre sai linda.

Em uma apresentação, uma bailarina pára de dançar quando se cansa? E tendo uma oportunidade, desiste de sua paixão por não ter sapatilhas?

Não há como parar de dançar. Nem como dançar melhor.

Minha dança é minha vida. Meus passos de ballet são minhas escolhas. Frágeis e inseguras muitas vezes. Erradas outras vezes. Mas eu improviso e sigo dançando.
Me sinto sem sapatilhas. Sabendo que poderia parar ou dançar muito melhor se conseguisse que meu pés parássem de gritar. Mas não.

Não há como parar de viver. Nem como viver melhor.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

In life we learn a lot

Tem coisas que não basta que ensinem pra gente.
A gente acaba aprendendo de tanto bater com a cabeça na parede.

Quem é bonito consegue tudo mais fácil. Inevitavelmente. E ninguém tem uma explicação boa pra isso.

As pessoas são diferentes do que você achou a princípio. Com o tempo elas ficam mais bonitas ou mais feias de acordo com seu comportamento e sua inteligência.

A gente sente falta de gente que a gente nunca esperaria sentir falta. E às vezes a gente nem sabe que sentiu tanta falta até rever aquela pessoa.

Respostas são necessárias às vezes. Mas dá pra viver sem algumas delas. Às vezes uma pergunta não tem só uma resposta certa, e algumas nem tem resposta. E às vezes saber disso é suficiente.

Não se aborreça quando rirem de você. Os seus micos são muito mais engraçados do que você pensa. Tente rir junto.

Admiração acontece. Atração acontece. Amor acontece. E é muito fácil confundir tudo isso. Mas no fundo, a gente sempre sabe o que está acontecendo de verdade.
Mas a gente só vê o que a gente quer ver.

E, assim, o amor acontece, não se planeja. Ele vem pra bagunçar sua vida com a irritante mania de simplesmente surgir do nada bem naqueles momentos da sua vida em que você achava que tudo estava indo dentro do planejado. E ele continua lá, mesmo se você insistir em ignorá-lo.

E o amor acaba exatamente porque você esperava que durasse para sempre.

E o amor não dura pra sempre. Mas isso não quer dizer que não deu certo. Eu me irrito quando as pessoas dizem "não deu certo" e por isso se arrependem de terem entrado na história. É lógico que deu certo, senão nunca ía ter começado. O que seria "dar certo", afinal? Deu certo. Mas acabou.

Mas a gente não quer que acabe. A gente se apega. Não quer mudanças. Porque o fim geralmente é tão ruim quanto o começo é bom.

E, por isso, muitas vezes a gente prefere viver na fantasia. Sonhar besteiras que nos façam sentir melhor do que nos sentimos ao encarar a realidade.

E a arte de sair de tudo isso, na verdade, é encarar o fim como um começo.
Porque o fim é um começo. Mas um começo difícil.
Mas, de novo, a gente só vê o que quer ver. E a gente se acostuma com a tristeza.
Tristeza vicia. Mesmo.

Os sonhos pequenos costumam não acontecer.
Mas os grandes tem chances muito maiores.
Porque pelos pequenos a gente não luta.
Mas os grandes estão ali sempre chamando pela gente.

E os sonhos vão mudando junto com a gente.
E a gente muda sem perceber.
E a gente acaba engolindo as críticas. E a maioria de nós ignora as críticas. Mas tem uns poucos que aprendem com elas.
E a gente acaba numa vida completamente diferente do que a gente queria há alguns anos atrás. Mas tudo bem.
Agora a gente vai sonhar com um futuro que provavelmente não vai acontecer. Mas tudo bem também. Porque a gente precisa de um objetivo. E se a gente muda, os nossos objetivos também tem que mudar. E o nosso futuro vai mudando. Se adaptando a gente e a gente vai se adaptando a ele.

E a vida segue.
E a gente aprende.
Dando com a cabeça em várias portas que não abrem.