segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Dois

Ele entrou na casa pensando no jantar.
Ela já tinha ido dormir. Estava tão cansada!
Ele largou a pasta no sofá e viu o que tinha na geladeira. Cerveja, cerveja, cerveja. Ah! Mas as panelas em cima do fogão estavam cheias de comida.
Ela sonhava uns sonhos bobos. Alguma lembrança de criança.
Ele comeu rápido, faminto.
Ela sonhou algumas coisas mais concretas. O marido. O filho que eles tanto queriam.
Ele deitou ao lado dela e ficou por alguns momentos olhando. Só olhando.
Essa era a vida que eles tinham escolhido.
Eles respiravam em ritmos diferentes, era engraçado notar isso no silêncio. Sempre parecera que eles haviam se tornado uma só pessoa e, no entanto, seus ouvidos compreendiam a prova do abismo entre os dois. Eram dois seres distintos querendo ser um só. Uma utopia. Impossível, como toda utopia.
Um pouco perturbado, ele acariciou o cabelo da esposa.
"Tão linda!" - Pensou enquanto a envolvia em um abraço com o cuidado de não acordá-la. Ele dormiu com o rosto encostado no dela. Sonhou com uma criança que pulava na cama. Um filho. Um filho seria sim a soma dos dois.

Um comentário:

  1. Seria como se o filho fosse a ponte desse abismo! Muito bom Su!!

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