quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Os dragões de todos os dias

   Houve um estrondo. O dragão deu um golpe com a cauda que fez o ônibus girar no ar e depois se chocar com um prédio. Ouviam-se os gritos das pessoas na rua, enquanto que parte dos bombeiros que haviam acabado de chegar ajudavam a resgatar os feridos de dentro do ônibus. Mas ninguém viu quando Pedro saiu do ônibus e pegou uma barra de ferro do meio dos destroços.
   Só notaram o garoto quando ele saiu em disparada na direção do dragão. Os bombeiros, que apontavam jatos d'água para o dragão tentando conter sua fúria, tentaram impedir Pedro, mas o garoto era extremamente ágil e desviou de todas as investidas dos que se postavam em seu caminho.
   Enfim, Pedro conseguia ver o dragão de frente. Sentia seu ódio no bafo quente que saia de sua boca. Seus olhos vermelhos e seu tamanho colossal amedrontariam até o mais bravo dos guerreiros bárbaros. Quando seu olhar se voltou para o ser minúsculo que era Pedro, o menino sentiu todo seu corpo gelar, mas não vacilou. Correu, pulou na perna do dragão, escalou seu corpo até o pescoço enquanto aquele ser grotesco se sacudia tentando derrubar Pedro e, finalmente,...
   "Droga! Perdi o ponto de novo!" - pensou Pedro enquanto via, da janela de um ônibus em movimento, a escola primária se afastando.

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