sábado, 26 de setembro de 2009

Leaving

She woke up earlier that morning with her plans burning inside her head.
She got dressed and got some few things that she would need in her pockets.
And she, finally, walked away with no noise. She didn't want to wake anybody up.
She just wanted to leave. 

To leave all that grey world behind.
And she left.

Towards her dreams.
Towards her freedom.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Os dragões de todos os dias

   Houve um estrondo. O dragão deu um golpe com a cauda que fez o ônibus girar no ar e depois se chocar com um prédio. Ouviam-se os gritos das pessoas na rua, enquanto que parte dos bombeiros que haviam acabado de chegar ajudavam a resgatar os feridos de dentro do ônibus. Mas ninguém viu quando Pedro saiu do ônibus e pegou uma barra de ferro do meio dos destroços.
   Só notaram o garoto quando ele saiu em disparada na direção do dragão. Os bombeiros, que apontavam jatos d'água para o dragão tentando conter sua fúria, tentaram impedir Pedro, mas o garoto era extremamente ágil e desviou de todas as investidas dos que se postavam em seu caminho.
   Enfim, Pedro conseguia ver o dragão de frente. Sentia seu ódio no bafo quente que saia de sua boca. Seus olhos vermelhos e seu tamanho colossal amedrontariam até o mais bravo dos guerreiros bárbaros. Quando seu olhar se voltou para o ser minúsculo que era Pedro, o menino sentiu todo seu corpo gelar, mas não vacilou. Correu, pulou na perna do dragão, escalou seu corpo até o pescoço enquanto aquele ser grotesco se sacudia tentando derrubar Pedro e, finalmente,...
   "Droga! Perdi o ponto de novo!" - pensou Pedro enquanto via, da janela de um ônibus em movimento, a escola primária se afastando.

domingo, 20 de setembro de 2009

"Fill my heart with song and let me sing for ever more"

Escrevo porque as histórias parecem que vão me fazer explodir se não defini-las em palavras. Escrevo porque não tenho escolha.
E agora decidi compartilhar meu fardo.
Eu escrevo. Vocês lêem. Afinal, isso é um blog.

   Naquela cidade enorme e fria havia uma menina que não sabia cantar. Não que sua voz fosse rouca ou falhasse, ou então desafinasse.
   Ela simplesmente não conseguia cantar. Suas palavras não tomavam forma de música. Não seguiam ritmo nenhum.
   Seu nome era Kimya Wimbo.
   Seus colegas de classe gritavam em seus ouvidos músicas com histórias de princesas e dragões com rimas fáceis e ritmo repetitivo que qualquer outra pessoa depois de muito ouvir se descobriria assoviando, mas nem mesmo isso a fazia cantar.
   A sua incapacidade para a música virou uma piada na escolinha. As crianças apontavam e riam.
   "Por que você não canta Kimya? O gato comeu sua língua?"
   E ela engolia as lágrimas toda vez, fingindo ser forte e mais velha do que era de verdade, levantava o nariz e falava bem alto: "Cantar é coisa de criança!"
   Depois que essa menina cresceu,  a falta de canções não mais incomodava e ninguém realmente reparava nessa sua singularidade.
   Ela era muito bonita, mas não falava muito. Aos poucos descobriu que seu silêncio a possibilitava ver algumas coisas que aos outros passavam despercebidas. Percebeu que, em silêncio, os olhares, os gestos tinham mais valor. Percebeu o esforço que algumas pessoas faziam para falar. Não era mais fácil ficar em silêncio? E então ela também percebeu que as pessoas não se sentem à vontade no silêncio, preferem se forçar a cuspir palavras e se esquecem o valor e o peso que elas podem ter.
   Kimya se descobriu alérgica a flores e um professor de literatura lhe disse uma vez que isso era uma metáfora e que na verdade ela era alérgica a romantismo. Ela nunca esqueceu o que ele havia dito. Não com raiva ou tristeza como qualquer outra garota sonhadora ficaria, mas com um consentimento silencioso.
   Kimya gostou de alguns garotos e por vezes questionou a afirmação de que não era romântica. 
   Então, em uma noite clara, estava em uma festa com os amigos. Gostou de um rapaz de poucas palavras e de olhos bonitos e sentiu seu desejo correspondido.
   Naquele dia, voltou para casa pensando em uma canção que os dois dançaram juntos e se sentiu triste por não poder cantá-la noite afora afim de nunca se esquecer.
   E neste momento percebeu que a canção não está no ritmo ou nas palavras que damos a ela. A lembrança de uma canção pode ecoar dentro de você fazendo seu corpo inteiro responder a ela com arrepios e tremores.
   E Kimya Wimbo dormiu embalada por uma música silenciosa que era regida dentro dela e sonhou com um romantismo tão doce que a fez querer viver no sonho.