quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Recomeço

Última postagem do ano.
Certa vez li um texto que falava da genialidade de quem inventou a contagem do tempo que possibilita eternos fins e recomeços. E em todo recomeço, renova-se a esperança humana.

E as promessas de fim de ano são para isso também. São uma possiblidade de concretizar os sonhos. Uma forma de não esquecê-los.


Meus objetivos no ano que vem não são inéditos. São os mesmos dos outros anos. Meus sonhos não mudaram tanto assim. Mas o tempo é outro. A cabeça é outra. E quem sabe neste ano as promessas não deixam de ser promessas? E então não vou precisar repeti-las nos próximos anos.
É um novo tempo.
Tempo de esperanças renovadas.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Mariana e o abraço nas canelas

Foi uma garotinha que mal alcançava meus joelhos que me mostrou o que eu precisava ver.
Ela me mostrou que o mundo ainda tem jeito.
Foi ela quem me deu esperanças de que o futuro ainda possa ser feito de pessoas boas.
Ela, com toda aquela pureza de criança, abraçou minhas canelas, e era tudo o que eu precisava. Um abraço sem motivo. Um carinho inesperado.
Ela me deu uma alegria que há tempos eu não sentia.
E essa alegria me fez possível pensar em um futuro bom e feliz, sem a perfeição impossível dos sonhos.
Um futuro possível. E doce. Como ela.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Pra rua me levar - Ana Carolina

Não vou viver como alguém que só espera um novo amor
Há outras coisas no caminho onde eu vou
Às vezes ando só trocando passos com a solidão
Momentos que são meus e que não abro mão

Já sei olhar o rio por onde a vida passa
Sem me precipitar e nem perder a hora
Escuto no silêncio que há em mim e basta
Outro tempo começou pra mim agora

Vou deixar a rua me levar
Ver a cidade se acender
A lua vai banhar este lugar
E eu vou lembrar você

É... Mas tenho ainda muita coisa pra arrumar
Promessas que me fiz e que ainda não cumpri
Palavras me aguardam o tempo exato pra falar
Coisas minhas, talvez você nem queira ouvir

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Não ter sapatilhas impediria uma bailarina de dançar?

Poderia dizer que me sinto amarrada, impotente. Mas não é verdade.

Me sinto uma bailarina sem sapatilhas em uma apresentação que parece que nunca vai acabar.

Nunca fui apaixonada por metáforas, mas existem algumas que são bonitas mesmo. E ballet é sempre bonito.
O mais incrível do ballet é a contradição que existe na relação da força da bailarina com a leveza da sua dança.
Apesar de todo o esforço e dor, a dança sempre sai linda.

Em uma apresentação, uma bailarina pára de dançar quando se cansa? E tendo uma oportunidade, desiste de sua paixão por não ter sapatilhas?

Não há como parar de dançar. Nem como dançar melhor.

Minha dança é minha vida. Meus passos de ballet são minhas escolhas. Frágeis e inseguras muitas vezes. Erradas outras vezes. Mas eu improviso e sigo dançando.
Me sinto sem sapatilhas. Sabendo que poderia parar ou dançar muito melhor se conseguisse que meu pés parássem de gritar. Mas não.

Não há como parar de viver. Nem como viver melhor.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

In life we learn a lot

Tem coisas que não basta que ensinem pra gente.
A gente acaba aprendendo de tanto bater com a cabeça na parede.

Quem é bonito consegue tudo mais fácil. Inevitavelmente. E ninguém tem uma explicação boa pra isso.

As pessoas são diferentes do que você achou a princípio. Com o tempo elas ficam mais bonitas ou mais feias de acordo com seu comportamento e sua inteligência.

A gente sente falta de gente que a gente nunca esperaria sentir falta. E às vezes a gente nem sabe que sentiu tanta falta até rever aquela pessoa.

Respostas são necessárias às vezes. Mas dá pra viver sem algumas delas. Às vezes uma pergunta não tem só uma resposta certa, e algumas nem tem resposta. E às vezes saber disso é suficiente.

Não se aborreça quando rirem de você. Os seus micos são muito mais engraçados do que você pensa. Tente rir junto.

Admiração acontece. Atração acontece. Amor acontece. E é muito fácil confundir tudo isso. Mas no fundo, a gente sempre sabe o que está acontecendo de verdade.
Mas a gente só vê o que a gente quer ver.

E, assim, o amor acontece, não se planeja. Ele vem pra bagunçar sua vida com a irritante mania de simplesmente surgir do nada bem naqueles momentos da sua vida em que você achava que tudo estava indo dentro do planejado. E ele continua lá, mesmo se você insistir em ignorá-lo.

E o amor acaba exatamente porque você esperava que durasse para sempre.

E o amor não dura pra sempre. Mas isso não quer dizer que não deu certo. Eu me irrito quando as pessoas dizem "não deu certo" e por isso se arrependem de terem entrado na história. É lógico que deu certo, senão nunca ía ter começado. O que seria "dar certo", afinal? Deu certo. Mas acabou.

Mas a gente não quer que acabe. A gente se apega. Não quer mudanças. Porque o fim geralmente é tão ruim quanto o começo é bom.

E, por isso, muitas vezes a gente prefere viver na fantasia. Sonhar besteiras que nos façam sentir melhor do que nos sentimos ao encarar a realidade.

E a arte de sair de tudo isso, na verdade, é encarar o fim como um começo.
Porque o fim é um começo. Mas um começo difícil.
Mas, de novo, a gente só vê o que quer ver. E a gente se acostuma com a tristeza.
Tristeza vicia. Mesmo.

Os sonhos pequenos costumam não acontecer.
Mas os grandes tem chances muito maiores.
Porque pelos pequenos a gente não luta.
Mas os grandes estão ali sempre chamando pela gente.

E os sonhos vão mudando junto com a gente.
E a gente muda sem perceber.
E a gente acaba engolindo as críticas. E a maioria de nós ignora as críticas. Mas tem uns poucos que aprendem com elas.
E a gente acaba numa vida completamente diferente do que a gente queria há alguns anos atrás. Mas tudo bem.
Agora a gente vai sonhar com um futuro que provavelmente não vai acontecer. Mas tudo bem também. Porque a gente precisa de um objetivo. E se a gente muda, os nossos objetivos também tem que mudar. E o nosso futuro vai mudando. Se adaptando a gente e a gente vai se adaptando a ele.

E a vida segue.
E a gente aprende.
Dando com a cabeça em várias portas que não abrem.

sábado, 10 de outubro de 2009

Nieve y carbón

Só porque sou completamente apaixonada pelas músicas deste cantor. Melodias doces e letras apaixonadas, feitas para românticos. Poesia com jeito de criança.

E ainda, o melhor show que já fui e, salvo um milagre, não tenho esperanças de ver um que se equipare no futuro.



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Dos Colores: Blanco y Negro
por Jorge Drexler


Nuestra primera intención
Era hacerlo en colores:
Una acuarela que hablara
De nuestros amores.


Un colibrí polícromo
Parado en el viento,
Una canción arcoiris
Durando en el tiempo.


El director de la banda
Silbando bajito
Pensaba azules y rojos
Para el valsecito.


Pero ustedes saben, señores,
Muy bien cómo es esto;
No nos falló la intención,
Pero sí el presupuesto...


En blanco y negro
Esta canción
Quedó en blanco y negro
Con el corazón,
En blanco y negro,
Nieve y carbón,
En blanco y negro,
En technicolor,
Pero en blanco y negro...


Fuimos quitando primero
De nuestra paleta
Una mirada turquesa
De marco violeta.


Luego el carmín de las flores
Encima del piano,
Una caída de sol
Cuando empieza el verano.


Todo los tipos de verde
De una enredadera...
Ya ni quedaban colores
Para las banderas.


Nuestra intención ya no fué
Más que un viejo recuerdo
Y esta canción al final
Se quedó en blanco y negro.


En blanco y negro
Esta canción
Quedó en blanco y negro
Con el corazón,
En blanco y negro,
Nieve y carbón,
En blanco y negro,
En technicolor,
Pero en blanco y negro...

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Vaga-lumes na escuridão

Por vezes me descobri perdida, esquecida dos meus objetivos de vida, apática, tomada de um desespero silente. E há alguns textos que nestas horas fazem papel de luz. Não te empurram pelo caminho (como sua mãe gostaria de fazer), mas te mostram um caminho. Ou pelo menos te confortam com a prova de que não é só você que passa por essas dificuldades.



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"Das Utopias"
por Mário Quintana

"Se as coisas são inatingíveis... ora!
não é motivo para não querê-las.
Que tristes os caminhos, se não fora
a mágica presença das estrelas!"


Trecho de "Advice, like youth, probably just wasted on the young" (ou "Wear Sunscreen")  
por Mary Schmich


"Don’t feel guilty if you don’t know what you want to do with your life… The most interesting people I know didn’t know at 22 what they wanted to do with their lives. Some of the most interesting 40 year olds I know still don’t. (...) What ever you do, don’t congratulate yourself too much or berate yourself either – your choices are half chance, so are everybody else’s."

Trecho de "Um dia você aprende"
por Veronica A. Shoffstall


"Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte.
Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás.
Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores.
E você aprende que realmente pode suportar... que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais.
E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida!
Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar."


Trecho de "Existe Sempre uma Coisa Ausente"
por Caio Fernando Abreu


"Eu sentia profunda falta de alguma coisa que não sabia o que era. Sabia só que doía, doía. Sem remédio."


Trecho de "Hey, Jude"
por The Beatles

"Hey, Jude, don't make it bad,
take a sad song and make it better
Remember, to let her into your heart,
then you can start, to make it better.

(...) 
And anytime you feel the pain,
Hey, Jude, refrain,
don't carry the world upon your shoulders.

(...)
So let it out and let it in,
Hey, Jude, begin,
you're waiting for someone to perform with.
And don't you know that is just you?
Hey, Jude, you'll do,
the movement you need is on your shoulder."


Trecho de "Sanar"
por Jorge Drexler

"La tierra parece estar quieta
Y el sol parece girar,
Y aunque parezca mentira
Tu corazón va a sanar,
Va a sanar,
Va a sanar,
Y va a volver a quebrarse
Mientras le toque pulsar.


Y nadie sabe por qué un día el amor nace,
Ni sabe nadie por qué muere el amor un día,
Ni nadie nace sabiendo, nace sabiendo
Que morir también es ley de vida."


segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Dois

Ele entrou na casa pensando no jantar.
Ela já tinha ido dormir. Estava tão cansada!
Ele largou a pasta no sofá e viu o que tinha na geladeira. Cerveja, cerveja, cerveja. Ah! Mas as panelas em cima do fogão estavam cheias de comida.
Ela sonhava uns sonhos bobos. Alguma lembrança de criança.
Ele comeu rápido, faminto.
Ela sonhou algumas coisas mais concretas. O marido. O filho que eles tanto queriam.
Ele deitou ao lado dela e ficou por alguns momentos olhando. Só olhando.
Essa era a vida que eles tinham escolhido.
Eles respiravam em ritmos diferentes, era engraçado notar isso no silêncio. Sempre parecera que eles haviam se tornado uma só pessoa e, no entanto, seus ouvidos compreendiam a prova do abismo entre os dois. Eram dois seres distintos querendo ser um só. Uma utopia. Impossível, como toda utopia.
Um pouco perturbado, ele acariciou o cabelo da esposa.
"Tão linda!" - Pensou enquanto a envolvia em um abraço com o cuidado de não acordá-la. Ele dormiu com o rosto encostado no dela. Sonhou com uma criança que pulava na cama. Um filho. Um filho seria sim a soma dos dois.

sábado, 26 de setembro de 2009

Leaving

She woke up earlier that morning with her plans burning inside her head.
She got dressed and got some few things that she would need in her pockets.
And she, finally, walked away with no noise. She didn't want to wake anybody up.
She just wanted to leave. 

To leave all that grey world behind.
And she left.

Towards her dreams.
Towards her freedom.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Os dragões de todos os dias

   Houve um estrondo. O dragão deu um golpe com a cauda que fez o ônibus girar no ar e depois se chocar com um prédio. Ouviam-se os gritos das pessoas na rua, enquanto que parte dos bombeiros que haviam acabado de chegar ajudavam a resgatar os feridos de dentro do ônibus. Mas ninguém viu quando Pedro saiu do ônibus e pegou uma barra de ferro do meio dos destroços.
   Só notaram o garoto quando ele saiu em disparada na direção do dragão. Os bombeiros, que apontavam jatos d'água para o dragão tentando conter sua fúria, tentaram impedir Pedro, mas o garoto era extremamente ágil e desviou de todas as investidas dos que se postavam em seu caminho.
   Enfim, Pedro conseguia ver o dragão de frente. Sentia seu ódio no bafo quente que saia de sua boca. Seus olhos vermelhos e seu tamanho colossal amedrontariam até o mais bravo dos guerreiros bárbaros. Quando seu olhar se voltou para o ser minúsculo que era Pedro, o menino sentiu todo seu corpo gelar, mas não vacilou. Correu, pulou na perna do dragão, escalou seu corpo até o pescoço enquanto aquele ser grotesco se sacudia tentando derrubar Pedro e, finalmente,...
   "Droga! Perdi o ponto de novo!" - pensou Pedro enquanto via, da janela de um ônibus em movimento, a escola primária se afastando.

domingo, 20 de setembro de 2009

"Fill my heart with song and let me sing for ever more"

Escrevo porque as histórias parecem que vão me fazer explodir se não defini-las em palavras. Escrevo porque não tenho escolha.
E agora decidi compartilhar meu fardo.
Eu escrevo. Vocês lêem. Afinal, isso é um blog.

   Naquela cidade enorme e fria havia uma menina que não sabia cantar. Não que sua voz fosse rouca ou falhasse, ou então desafinasse.
   Ela simplesmente não conseguia cantar. Suas palavras não tomavam forma de música. Não seguiam ritmo nenhum.
   Seu nome era Kimya Wimbo.
   Seus colegas de classe gritavam em seus ouvidos músicas com histórias de princesas e dragões com rimas fáceis e ritmo repetitivo que qualquer outra pessoa depois de muito ouvir se descobriria assoviando, mas nem mesmo isso a fazia cantar.
   A sua incapacidade para a música virou uma piada na escolinha. As crianças apontavam e riam.
   "Por que você não canta Kimya? O gato comeu sua língua?"
   E ela engolia as lágrimas toda vez, fingindo ser forte e mais velha do que era de verdade, levantava o nariz e falava bem alto: "Cantar é coisa de criança!"
   Depois que essa menina cresceu,  a falta de canções não mais incomodava e ninguém realmente reparava nessa sua singularidade.
   Ela era muito bonita, mas não falava muito. Aos poucos descobriu que seu silêncio a possibilitava ver algumas coisas que aos outros passavam despercebidas. Percebeu que, em silêncio, os olhares, os gestos tinham mais valor. Percebeu o esforço que algumas pessoas faziam para falar. Não era mais fácil ficar em silêncio? E então ela também percebeu que as pessoas não se sentem à vontade no silêncio, preferem se forçar a cuspir palavras e se esquecem o valor e o peso que elas podem ter.
   Kimya se descobriu alérgica a flores e um professor de literatura lhe disse uma vez que isso era uma metáfora e que na verdade ela era alérgica a romantismo. Ela nunca esqueceu o que ele havia dito. Não com raiva ou tristeza como qualquer outra garota sonhadora ficaria, mas com um consentimento silencioso.
   Kimya gostou de alguns garotos e por vezes questionou a afirmação de que não era romântica. 
   Então, em uma noite clara, estava em uma festa com os amigos. Gostou de um rapaz de poucas palavras e de olhos bonitos e sentiu seu desejo correspondido.
   Naquele dia, voltou para casa pensando em uma canção que os dois dançaram juntos e se sentiu triste por não poder cantá-la noite afora afim de nunca se esquecer.
   E neste momento percebeu que a canção não está no ritmo ou nas palavras que damos a ela. A lembrança de uma canção pode ecoar dentro de você fazendo seu corpo inteiro responder a ela com arrepios e tremores.
   E Kimya Wimbo dormiu embalada por uma música silenciosa que era regida dentro dela e sonhou com um romantismo tão doce que a fez querer viver no sonho.