quarta-feira, 12 de julho de 2017

Ser

Agora, eu não sou 
nada 
além de mim 
mesma.

Não sou limites
e nos seus olhos
não sou nem mesmo o humano
que és.

E amanhã, serei ainda
o belo e fútil
do ser
completo ou raso.

Eu não sou corpo,
nem alma
e nem vento.
Sou tempestade.

E talvez eu seja, afinal,
a calmaria e o turbilhão
do coração
da sua indiferença.

Sou o chicote,
a lança e a espada.
Sou a cura,
o calor e o prazer.

O peso e a leveza
de um amor incipiente
e o grito 
ainda preso na garganta.

Sou tudo e nada
e nada me prende
e tudo me abala.
Sou eu.

quarta-feira, 13 de julho de 2016

La mirada

Te lo miro
Lejos de los ojos tuyos
Y cerca de mis intenciones
Que no saberás.

Lo que sé
Quedará como escudo
De tu voluntad
Que me encarcela.

Y de cada gesto
Caerá una parte de tu máscara
Hasta que no haya nada
Que te esconda.

Me quedaré mirando y esperando
Que al menor error
Tu mundo caya
Por su proprio peso.

Cuando estés desnudo y listo
Te ayudaré a levantarse
Y podremos seguir juntos
Este camino hoy sigo yo.

Cogidos del brazo
Y del corazón
Miraremos hacia adelante
El futuro que nos aguarda.


sábado, 2 de maio de 2015

Voos

Há um tempo atrás viajei com duas amigas. A Europa, com sua cultura, respeito ao próximo e total funcionamento sempre foi um sonho pra mim, significava um mundo que eu sempre quis fazer parte e resolvi ir, sem pensar muito - num acesso de loucura financeiramente falando.
No voo de volta, quando retornava para uma vida que eu só pensava em fugir, chorando em silêncio, minha amiga me disse:

Calma. Viajar é bom mas voltar também é bom.

Naquele momento pareceu loucura, mas agora, quase três anos depois, voltando de outra viagem, entendo o que ela quis dizer.
Agora, tenho uma vida para a qual eu quero voltar. Decidida por mim, com meus erros e acertos. Um lugar em que posso finalmente ser eu mesma. Que não me oprime. Que não me deprime.
Que é tão bom quanto eu posso ser.
Voltei para as minhas responsabilidades. Minhas dores e minhas delícias.
Meus gatinhos.
A viagem foi boa, mas estou feliz de estar de volta.
Pela primeira vez.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Bendita memória fraca

Ela esquecia os doces fora da geladeira.
A chave no lado de fora da porta.
A carteira na bolsa de ontem.
A mudança do horário de verão.
O pedido do chefe.
O cachorro na pet shop.
As roupas na lavanderia.
O almoço no fogão.
Os sonhos na infância.
O aniversário da amiga.
Os rancores.
E os problemas.